1/11/09
Samba do avião
“Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade…”
Tom Jobim
Meu caso de amor com a cidade é antigo e duradouro, coisa rara nos dias de hoje. Só lamento que muitas pessoas não entendam isso.
O comentário é estranho principalmente pela foto que ilustra o post e que não é do Rio. A foto acima é da praia de Boa Viagem em Recife. Eu estive por lá na última semana e quando saio do Rio, sempre me pergunto se aguentaria morar longe e só visitar a cidade.
Entenderam agora o título, não?
Eu adorei Recife. O caso não é esse. Nossa região nordeste é belíssima, desde o céu (sim, é diferente) até o mar. O sol constante é um atrativo e tanto, além da comida ser de deixar qualquer pessoa sem saber por onde começar, mas pensar em ver sempre outra paisagem, me deixa tensa. Eu me peguei na volta para o Rio cantarolando o Samba do Avião justamente no trecho que coloquei acima.
Elegi o Rio meu lar desde sempre e lar para mim é onde meu coração vive. Eu poderia viver em qualquer lugar, mas meu coração estaria sempre aqui. Isso me faz sentir uma angústia imensa só de imaginar estar longe por tempo indeterminado.
Há algo nessa cidade que não se explica, só dá para sentir. Além disso, construí todo o meu contexto afetivo aqui. Não consigo compreender uma vida sem contexto afetivo. Fica tudo muito vazio. Não há dinheiro que me compense a falta das pessoas que amo e das paisagens que me deixam feliz.
Tenho acompanhado vários amigos que optaram por viver longe do Rio (alguns fora do Brasil) e eles sempre me parecem ansiosos, quando a data do retorno se aproxima. Lamentam, mesmo que disfarçadamente, terem que voltar para a vida que escolheram e isso me soa muito, mas muito estranho. Lógico que não são todos, mas eu diria que é a maioria.
Eu não saberia viver assim, achando o tempo curto e sentindo a angústia de voltar para uma vida sem sentido para a alma. Se pensarmos bem, é quase uma prisão.
Quero deixar bem claro que não estou julgando ninguém, apenas refletindo sobre como me sinto em relação a essa situação e tentando fazer com que as pessoas que sempre me perguntaram, por que eu nunca quis sair daqui e viver fora, entendam minhas razões. Para elas, eu resumo tudo em uma frase de Fernando Pessoa:
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”
Minha alma não seria grande longe do Rio, portanto, não vale a pena.
Um beijo grande e boa semana.
Drikka

criado por dri.mo
21:34 — Arquivado em: 
