15/11/09
Sociedade paralela

Pleno século XXI e ainda convivemos com o preconceito.
Essa frase me veio à mente depois que li uma pequena entrevista de um ator para a revista da TV.
Na referida entrevista, ele alegava que brasileiro acha que não existe preconceito aqui, mas que só sendo gordo, negro ou nordestino para saber.
Não preciso dizer que eu discordo, né? Não que não haja preconceito. Há e sempre haverá, onde houver o ser humano, mas não concordo com a colocação do ator. Ela demonstra uma visão muito estreita a meu ver. (Que me perdoe o rapaz.)
Vamos recorrer ao dicionário Aulete para definirmos preconceito. (http://aulete.uol.com.br).
preconceito(pre.con.cei.to) sm. 1. Opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; PREJULGAMENTO: “…existia algo no mundo que tornasse compulsório ou indispensável ter uma vocação? Positivamente não, trata-se de um mero preconceito.” (João Ubaldo, Diário do farol.)) 2. Atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos, ideias etc., em relação a sexo, raça, nacionalidade, religião etc. (preconceito racial); INTOLERÂNCIA 3. Ideia ou juízo fundado em crendices e superstições; CISMA: Era um homem cheio de preconceitos irracionais. [F.: pré - + conceito] |
Se pegarmos a definição 2 do dicionário, a exclusão de qualquer pessoa da possibilidade de preconceito é injusta, pois dependendo da pessoa preconceituosa, o alvo vai variar e muito. E quem me diz que mesmo sendo negro, gordo ou nordestino e sabendo o que é preconceito, ele também não é preconceituoso a respeito de algo ou de alguém? Será que basta ser vítima do preconceito para não ter preconceito? Eu acho isso tremendamente duvidoso.
Somos humanos, portanto não estamos livres de sermos injustos em alguma coisa (ou muitas coisas).
Eu mesma acho que as novelas são injustas nos estereótipo do morador do subúrbio que mostram. Pobres gostam de gritar, são mal educados e não tem cultura. Eu não sou assim e conheço um grupo grande que também não é. Suburbanos, uni-vos! Estamos sendo vítima do preconceito dos autores de novela.
Entendam, não estou dizendo que é besteira reclamar das posições indignas das quais somos vítimas, mas o que me preocupa é que as pessoas estão se dividindo em grupos de injustiçados. Já observaram isso?
Em vez de unificarem a sociedade mostrando um convívio sem fronteiras, os grupos se juntam de acordo com as “injustiças” e se tornam de certa forma “rivais” do restante da sociedade.
Eu não vejo vitória nenhuma nisso. Vejo sim, a criação de sociedades paralelas.
No que diz respeito à consciência, não conseguiremos nunca mudar a mentalidade do outro a menos que esse outro queira mudar. Se quisermos efetivamente erradicar o preconceito, seja ele qual for, temos que começar por modificar a educação das gerações futuras e não caminhar de processo em processo ou de lamúria em lamúria.
Mais uma vez me vejo no dever de explicar que se uma pessoa, qualquer que seja a situação, se veja privada de um direito por discriminação deve sim recorrer à justiça. Ninguém pode impedir outra pessoa de viver.
A maior vítima do preconceito, não é quem recebe a ofensa, mas quem ofende, pois demonstra ser atrasado e não disposto a mudar.
Por isso, meu caro, não me leve a mal. Não estou tentando tolher seu direito de reclamar, estou apenas tentando mostrar a você que quem tem que saber o seu valor é você mesmo e não os outros. Os outros raramente nos reconhecem as qualidades. E respeito muito embora assim se diga, não se impõem e sim, se conquista. Se você tiver certeza do que você é, a ignorância das pessoas dói muito menos. Aproveite portanto as “pedras” que atiram para construir novos conceitos, pois como disse acima, em algum lugar da nossa alma, ainda reside algum tipo de sentimento de discriminação e corrija a única pessoa a quem você pode mudar que é você mesmo.
criado por dri.mo
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