Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

21/6/09

Túnel do tempo

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Eu tenho que ser sincera, depois de tanto tempo sem escrever, eu estava me preparando para jogar minha irritação em bites no meu blog, mas eis que uma deliciosa viagem no túnel do tempo, me levou de volta aos anos 80 e refez minha alma.

Por que deveria perturbar as mentes alheias com o meu mau humor, se tem tanta coisa boa para lembrar?

Para quem curte toda a maravilhosa e desavergonhada “breguice” dos excessos que vivemos, o site http://www.motoca.net/motoca/index.htm é uma boa.

Me lembrei de cada detalhe da minha infância super feliz e fico pensando como podemos desejar uma sociedade ajustada nos dias de hoje, se roubaram descaradamente o direito das crianças de serem felizes.

Não me refiro só à pobreza. Claro que sem o básico, é muito difícil ser feliz, mas não é dessa infelicidade que falo. Falo da infelicidade da falta de imaginação que venho acompanhando nas crianças de hoje.

Eu observo as crianças há 12 anos. Meus alunos foram os primeiros a me chamar a atenção de que o excesso de eletrônicos, o tempo desperdiçado diante da TV tem um ônus que só o futuro é capaz mostrar.

No meu tempo (sim, eu estou caminhando honradamente para a faixa das tiazonas), não víamos tanta televisão e os brinquedos tinham bem menos recursos, além disso, mesmo trabalhando, nossos pais tinham tempo de nos levar para brincar longe de vídeo games e computadores (Mesmo porque não tinha computador quando eu era criança. Deixando bem claro que me refiro a home PC.).

Esse tempo da infância perdido de forma inútil rouba da criança a capacidade de descobrir o mundo por ela mesma e consequentemente formar um adulto mais completo.

A “viagem” que fiz hoje me lembrou das coisas divertidas que fazia. Como minha irmã já estudava (temos três anos de diferença na idade) eu brincava muito sozinha, mas sempre sobrava um tempo para a nossa imaginação em conjunto dar uma voltinha na vigilância para lá de apertada que minha mãe montava. Vigilância essa que incluía desligar a TV, quando achava que estávamos tempo de mais de frente para o aparelho. Ela simplesmente mandava arrumar outra coisa para fazer e nós íamos.

Ela também lia a Revista Recreio e ajudava a recortar os desenhos, ela fazia roupa de boneca e jogava comigo e com a minha irmã no pouco tempo livre que as obrigações da casa deixavam. Mesmo cansada, ela tinha - sempre teve - tempo para nós.

Meu pai é uma criança até hoje. Ele chegava com o brinquedo que fosse e queria sempre brincar junto. Domingo de manhã era dia de ver os desenhos que passavam antes da corrida e brincar de par ou ímpar ou qualquer outro joguinho bobo que criança gosta.

Eu sinceramente não sei onde os pais perderam o prazer de estar com os filhos. Só sei que a sociedade seria bem menos problemática, se as pessoas resgatassem esse hábito. Essa convivência é fundamental.

Um beijo grande e uma boa semana.

Drikka

criado por dri.mo    20:20 — Arquivado em: Sem categoria
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