13/4/09
He’s Just Not That Into You ou Ele não está tão afim de você
Ontem eu me dei ao luxo de juntar o útil ao agradável. Explico. Hoje foi aniversário do meu padrinho e precisava comprar um presente para ele. Como iria ao shopping mesmo, aproveitei para ir ao cinema.
Como já dá para ver pelo título, eu fui ver “Ele não está tão afim de você”. (Abre parêntese aqui para as ótimas salas do Kinoplex do Tijuca Shopping.)
O filme é uma comédia romântica simples, onde os destinos de nove pessoas se misturam de uma forma que me lembrou de imediato a poesia de Drummond, Quadrilha. (Para quem não conhece ou não lembra, vai o link. http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/quadrilha.htm).
O ponto central da trama é ou pelo menos deveria ser, os desencontros da Gigi em suas tentativas frustradas e frustrantes de encontrar um amor. Nessas tentativas, ela encontra Alex, expert em fazer das mulheres seres descartáveis. A ligação entre essa situação e as outras é que na mesma firma que Gigi trabalha, trabalham 98% do elenco feminino.
Colocado assim o filme se torna muito raso. Gigi é uma mulher meio (muito…) desajeitada que leva à risca o verso de Jobim “É impossível ser feliz sozinho” e está cercada de mulheres que por alguma razão estão insatisfeitas com a vida que estão levando e “sabem” tudo sobre relacionamentos.
Eu iria mais fundo nesse roteiro. As personagens são pessoas que estão desajustadas por dentro e isso reflete diretamente em suas relações com as outras. A felicidade pode ser um problema, quando não estamos preparados para ela.
Gigi é a única que está realmente disposta à felicidade. De uma maneira meio precipitada, eu sei, mas sempre pronta para o que a vida pudesse dar. O problema é que poucas pessoas conseguem pertencer à vida tanto quanto ela. Isso a torna “levemente” inadequada ao mundo de hoje e consequentemente afastava os pretendentes. Pessoas que vivem se tolhendo têm muito medo daquelas para quem a vida parece sempre pintada em cores intensas.
Eu me identifiquei com a intensidade quase inocente da personagem. Ela simplesmente não sabia ser diferente dela mesma para agradar aos outros, ela até tentou mudar, apesar de não ter conseguido totalmente, mas demonstrou ser muito mais madura que o “safo” Alex, quando o assunto era vida.
Por que ela deveria ser moldada por um padrão que não era o dela? Por que mudar para estar com alguém, quando conviver é em parte aceitar o outro como ele é, sabendo que não há perfeição?
Muitas vezes imputamos aos outros nossos modelos, como por exemplo, Janine fazia com o marido. Só que as pessoas agüentam fingir por um tempo, mas por quanto tempo alguém pode ser quem não é em nome do amor? Se é que se pode chamar amor o egoísmo de querermos fazer de alguém aquilo que é mais cômodo para a nossa própria consciência.
Sim, era muito chata aquela coisa de “você me liga ou eu te ligo?”, mas a platéia também é capaz de perceber que a mente dela funcionava tão diferente que ela não era capaz de perceber os sinais das relações descartáveis. Agora me digam quem tinha o maior problema, ela que tomava para si os riscos ou os caras que ao perceberem que a coisa poderia ir mais longe, pulavam fora por não quererem ninguém “fixo” em sua vida? (By the way, para mim o Connor não se deu bem com a Gigi, porque perseguia o sonho da mulher que não queria nada com ele.) Mais uma vez eu me identifico com a Gigi. Relacionamentos são ruas de mão dupla, o tráfego deve fluir em ambos os sentidos. Ela só queria se certificar disso…
Não pensem que estou desculpando as investidas da personagem em homens que notoriamente não queriam nada com ela. Eu mesma tive que aprender a ser diferente na minha “inocência”. Posso dizer de cadeira o quanto é frustrante amar alguém que simplesmente olha através de você como se você fosse de vidro e garanto que durante muito tempo, pensei que o problema fosse eu. Pensei mesmo. Ficava matutando horas a fio como mudar para ser vista, para encaixar na fôrma e cheguei à brilhante conclusão de que eu não era o problema. Por alguma razão, eu simplesmente amei uma pessoa que vive em função de se proteger, o que é muito cansativo para quem está em volta e deve ser extremamente desgastante para quem vive dessa forma. O texto que ela praticamente grita na cara dele, quando ele diz que não está interessado nela depois da festa é penetrante como uma faca afiada.
Assim como Alex mostrou para Gigi o ponto de equilíbrio na vida dela (Sim, mesmo que de maneira indireta, mas mostrou.) “meu Alex” me ensinou a ser diferente. Nota: ele não me modificou, mas a convivência sempre indica algumas arestas que precisamos aparar. O que muda no final do meu filme é que “o meu Alex” não mudou o jeito dele e tocou a minha campainha para dizer que queria tentar. Talvez eu não devesse ter sido tão eufemista em minhas colocações, mas sou uma pessoa que acha que ferir não é didático, por mais que estejamos dizendo a verdade.
Sim, eu recomendo o filme. Muitas pessoas acharão tolo, mas eu diria que tem aspectos que fazem valer a pena.
Um beijo grande para todos e uma ótima semana.
Drikka

criado por dri.mo
0:44 — Arquivado em: 

Exatamente, Drikka…perfect :clap:
Comentário por Pelife — 13 13UTC abril 13UTC 2009 @ 0:59
Que maravilha… erra o código e perde a postagem……
Comentário por Andre Tse — 15 15UTC abril 15UTC 2009 @ 0:02
digitando de novo….
Não assisti ao filme, mas lamento que você tenha estado tão perto e eu só fique sabendo disso depois (emoqueseesconde)
Beijos!
PS: agora copiei o texto antes de enviar
Comentário por Andre Tse — 15 15UTC abril 15UTC 2009 @ 0:03