Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

8/3/09

Negócio da China

Muito embora eu ande meio pelas tampas com os orientais (motivos de trabalho), eu não me furto a ver a novela das 18h sempre que o trabalho me permite.

Independente da minha notória “paixão fraterna” por Miguel Falabella, a novela é muito boa. Leve, com bons exemplos, português (não os lusitanos, mas a língua) corretos, como deve ser um bom folhetim. Há muito uma novela não me faz ter vontade de ver novela. Essa, pela pura diversão de bom nível que oferece, me atraiu profundamente.

Eu estou comentando isso, porque tenho lido críticas desfavoráveis, além da infeliz entrevista de Benedito Rui Barbosa há uns dias atrás. Acho sinceramente que as pessoas não estão mais conseguindo discernir entre o que pode ser nocivo à sociedade e o que pode ser útil.

Tive o prazer de conhecer Miguel pessoalmente através de um amigo em comum. É interessante ver que ele consegue ser uma pessoa única, esteja ou não na frente das câmeras. Não existe uma persona para cada momento, talvez por isso ele seja tantas vezes incompreendido.

Nos poucos encontros que tivemos, pude ver nele a pessoa apaixonada pelo trabalho que desenvolve e que é muito seriamente comprometida com os resultados positivos que possam vir para as platéias do país. A coleção de suas obras resgata valores, História e cultura. No mundo de hoje, é mesmo difícil que o senso comum o compreenda.

A novela “Negócio da China” é um exemplo da incompreensão de parte do público. Com citações de grandes autores, com diálogos que respeitam a norma culta da língua e recheados de idéias inteligentes, a novela demonstra que a diversão pode ser educativa. Não estou falando que as pessoas devam considerar a TV seu único veículo educativo, mas uma vez que a telenovela é uma realidade na vida do brasileiro, que ao menos tenha bom nível.

Eu tenho uma enorme preocupação com a falta de amor próprio do nosso povo. É esse o único motivo que vejo para tamanho desprezo por uma cultura tão rica que algumas pessoas, me inclua no grupo, tentam desesperadamente resgatar e manter protegida.

Um ponto a mais para a novela que tem em seu elenco três excelentes atores de Portugal é a integração de culturas diferentes, além de mostrar o talento de outros povos. Eu particularmente gosto de música portuguesa. (Quem vê a novela vai entender.)

Nesse momento me vem à mente uma frase de Ariano Suassuna. Em uma entrevista para um programa de TV, o grande autor e defensor da cultura brasileira, disse que “Não precisamos odiar a cultura dos outros. Precisamos, sim, aprender a amar a nossa cultura”.

Miguel reconhece e ama todas as culturas e principalmente a sua própria. Sabe que cultura, quanto mais, melhor e divide isso com todos através de seu trabalho.

Aos críticos de “Negócio da China”, meu muito obrigado, pois muitas vezes a crítica que tenta diminuir, só ressalta o mérito da obra bem realizada.

criado por dri.mo    22:57 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Vou assistir a alguns capítulos pra conferir sua recomendação

    [ ]s do Freitas

    Comentário por Freitas — 9 09UTC março 09UTC 2009 @ 0:06

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