Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

24/2/09

Salgueiro

Desculpem não ter escrito na última semana, mas eu estava completamente sem imaginação. Acho que é aquele cansaço da mesmice que faz essas coisas. Eu preciso ter mais paciência para efetuar as mudanças necessárias, mas reconheço que essa não é a minha virtude. Aliás, nem a modéstia é.

Essa semana vai ser um post curtinho, porque carnaval também não é exatamente uma festa que encha meu espírito de alegria, exceto pelos quatro longos e maravilhosos dias que passo em casa de topzinho e short. Uma “diliça”! Porém, como o meu Salgueiro (Sim!!!) veio deslumbrante este ano, quero comentar a respeito da minha ignorância e preconceito em relação a importância do tambor na história da sociedade.

Eu confesso que há muito não acompanho como fazia antes os assuntos das escolas de samba. Já teve uma época em que quis desenvolver um enredo e tudo, mas foi só, como diria Paulinho da Viola, um rio que passou em minha vida.

Eu estava aqui cosendo e esperando que a escola entrasse (esse ano foi cedo) quando anunciaram o nome. Gente, eu nem acreditei. Uma única e simples palavra: TAMBOR. Pronto! Estava resumida a razão de oito alegorias gigantescas e 4100 componentes.

Acho que minha desconfiança veio do fato dos carnavalescos adorarem nomes complicados e enorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrmes. Nomes que você nem consegue reproduzir e acaba resumindo tudo em uma palavra só. Renato Lage nos poupou o trabalho esse ano.

Eu estou encantada com o resultado final. Pesquisando desde a criação até a utilização do tambor, a escola mostrou um espetáculo deslumbrante na avenida. Destaque para o carro abre-alas com os tambores que davam um efeito visual belíssimo ao rodarem e para o carro em homenagem ao Xangô do Salgueiro (Júlio Machado, falecido ano passado).

Acho que a melhor definição para o carro do Xangô (que era todo branco) deu meu pai ontem. Ele disse que apesar de todo branco o carro era vivo. E era mesmo. Eles colocaram vários brancos no mesmo ambiente. Ficou harmonioso e celestial.

Agora só me resta esperar o resultado do júri. Bem, a gente sabe que as coisas não são bem como queremos ou pensamos, mas… sonhar não custa nada.

Beijo grande. Volto semana que vem! (OPA! Essa semana ainda.)

criado por dri.mo    11:06 — Arquivado em: Sem categoria

8/2/09

Mea culpa

Eu sempre tive por hábito observar gente no atacado, mas depois que comecei a dar aulas, tomei gosto por observar gente no varejo. A sociedade é um grande organismo vivo e cada ser é uma de suas células. (Admitam, essa frase ficou bonita, né?)

O que estou querendo mostrar é que todos, sem exceção, somos responsáveis pelo momento social em que nos encontramos. Uns contribuem de forma positiva e outros não.

Essa idéia me perseguiu essa semana, uma semana de mais balas achadas e vidas perdidas.

Fiquei me perguntando como chegamos a essa situação e por que razão a vida humana está valendo tão pouco e as pessoas parecem ter um desprezo imenso por regras, além de desconhecerem por completo a palavra respeito.

Num loop alucinado do meu pensamento me lembrei de um motorista de taxi que me falou que o problema era a impunidade. Ninguém era punido, ninguém ia para a cadeia e eu concordo com ele até certo ponto. Explico. Não acho que impunidade seja só uma questão da Justiça. É claro que a frouxidão do judiciário é uma das razões (grande até), só que eu acho que a questão da impunidade na nossa sociedade começa bem antes de alguém chegar a um tribunal.

Eu trabalhei durante doze anos com a base da sociedade: crianças e suas famílias. Nesse período, fui capaz de perceber que a noção de que se pode fazer qualquer coisa sem castigo começa já na família. A impunidade que vem depois é mero prolongamento que se torna mais perigoso para a sociedade, pois as infrações se tornam mais graves.

Muita gente me diz que é exagero comparar as situações, mas a criança dentro de seu universo familiar, deve viver um laboratório de conceitos e atitudes que usará no convívio social depois de adulta. A escola é o segundo núcleo importante. Se a família não fez sua parte, a segunda fase do aprendizado social pode se tornar traumática para a criança, os colegas e principalmente o professor.

Recebemos cerca de quarenta crianças por ano em sala de aula e todas (salvo raras e gratificantes exceções) vinham sem saber o que era ouvir não dos pais. Na maioria das vezes faziam o que queriam, desconheciam completamente o cumprimento de regras e não eram responsáveis por seus atos dentro da escola. Quando os pais eram questionados sobre as atitudes absurdas dos filhos (enforcar o colega até quase sufocar, bater nos colegas, roubar objetos, xingar a professora, rasgar as provas na cara do professor, fraudar resultados de provas, assinar pelos pais os avisos da escola, etc. - a lista é imensa.) diziam que eram “somente crianças”, que aquilo era “coisa de criança”. O que se espera do futuro de uma sociedade onde as crianças crescem achando que fazer qualquer coisa é normal?

Eu costumava dizer para os meus alunos que a escola era o emprego deles e que se eles não sabiam ser responsáveis e conviver bem com colegas ali, como fariam no futuro? Era uma loucura! Eles faltavam aulas, matavam provas, não faziam deveres e os pais sempre na hora da entrada ou da saída vinham com uma desculpa esfarrapada para justificar o filho errado. Isso fora a lista que citei acima. De quem era o maior erro?

Eu costumo dizer que o Brasil é um país sem visão de macro. Só conseguimos enxergar as unidades. Essas pessoas não veem que os filhos irão para o futuro despreparados para qualquer situação que os contrarie. Eles realmente achavam que os filhos deveriam ser obedecidos e atendidos por todos. Essas pessoas só esqueceram um detalhe: cada unidade formada para ser única diante dos outros solta na rua juntando com as outras tantas do mesmo jeito, só pode dar em conflito.

Não foram acostumados a ter limite. Há uma hora que, se você foi criado com regras claras, sabe que deve parar. Mostrar o certo e o errado a um filho é imensa obra de caridade. Minha mãe costumava dizer que nosso direito (meu e da minha irmã) terminava onde começava o dos outros. Assim a criança cresce sabendo respeitar quem está perto e que se cometer erros, terá que ser responsável por eles e é na infância sim que se aprende isso. Na adolescência exercitamos e trabalhamos para nos encaixar na sociedade e na idade adulta vivemos para perpetuar esses conceitos.

O que tenho visto da Justiça é tão somente a visão em âmbito ampliado do que vi há tempos atrás com os pais dos meus alunos. Quem sabe não reduziríamos muito as oportunidades da Justiça deixar impunes criminosos, se começássemos a educar nossas crianças e jovens com responsabilidade e respeito? Se você sabe que erro pede reparação, vai pensar duas vezes antes de errar. Ou não?

Meu avô costumava dizer uma frase de Pitágoras: Eduquem os meninos e não será preciso castigar os homens.

Educar requer paciência e bom senso. Além disso, se realmente pretende educar alguém, a primeira pessoa a quem tem que educar é você, pois as palavras são mero som sem o exemplo.

Volto semana que vem.

Um beijo grande a todos,
Drikka

criado por dri.mo    22:43 — Arquivado em: Sem categoria

3/2/09

A garota do adeus

 

Desculpem o post novo só sair hoje. Eu passei mal no final de semana e voltei ao trabalho meio enrolada. Hoje tenho tempo e estou escrevendo.

Como vocês sabem, ninguém pede um chope e duas folhinhas de alface e eu entro de cabeça naquelas delícias suicidas que servem nos bares da cidade. Não foi nada grave, graças a Deus. Eu é que tenho que me conformar que meu organismo é sensível às orgias gastronômicas.

Mas o assunto que queria escrever hoje não é esse e vocês já devem ter notado pelo título.

Eu andei há um tempo atrás meio estranha, meio surtada sem saber bem o que estava acontecendo. Humor instável (aquele tipo de humor que faz a gente ouvir aquela piadinha machista e nojenta que é falta de namorado) e calada (o que absolutamente não é normal em mim), eu estava realmente triste e não sabia bem porque razão.

Mas como não me conformo que coisas aconteçam dentro de mim e eu não saiba explicar, fui buscar uma razão. Achei uma delas.

Há umas duas semanas uma amiga de 20 anos se mudou. Fiquei super feliz, pois ela há muito tempo vinha batalhando para comprar o cantinho dela e conseguiu. Só que a ida para tão longe (Niterói) remexeu uma referência afetiva da infância que estava guardada, mas não esquecida.

Quando eu tinha uns 9 anos, minha melhor amiga se mudou. Companheira de brincadeiras, conversas e travessuras, ela foi morar no Méier. A distância entre o Méier e a Vila da Penha parecia instransponível, pois longe de criança é relativo e naquela época, pelo menos para mim, o Méier era quase uma viagem à Austrália.

Levei muito, mas muito tempo mesmo para me ajustar. A família toda (avó, avô) foi junto e ficamos realmente sem ter o mesmo contato. Em princípio nos ligávamos, mas a vida vai ganhando novo ritmo e acabamos por nos afastar.

Desse tempo guardei a sensação de tristeza. Não que eu estivesse só, tinha outros amigos, tinha (como tenho até hoje) minha família, mas a lacuna ficou. Tanto ficou que ao me encontrar em situação similar, a memória reconheceu e a tristeza voltou.

Nunca desisti de saber por onde ela andava e agradeço ao Orkut, pois consegui reencontrá-la. Casada, com dois filhos lindos, voltamos a ter contato. Descobri que para ela a lacuna também ficou.

Sei que meus fiéis leitores (pretensão) preferiam um post divertido, mas ainda estou em convalescença e de dieta, o que altera meu humor. Eu gosto de salada, mas comer um arbusto todo dia, eu não agüento. Tenho que variar. Além disso, queria dividir essa lembrança com vocês.

Prometo que assim que a dieta acabar, eu tomo um chope e melhoro.

Beijocas e até a próxima semana.

Drikka

criado por dri.mo    22:20 — Arquivado em: Sem categoria
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