7/1/09
Sou ou não sou? Eis a questão.
Vá lá, me deem um crédito. Eu hoje me sinto mais bem humorada.
Estava agora de frente para o espelho do banheiro escovando os dentes (sim, se eu tivesse juízo estaria na cama para acordar cedo amanhã) e pensando sobre palavras.
Já dizia Vitor Hugo (ou disseram que ele disse): ”A palavra, como se sabe, é um ser vivo”. Eu também acho que seja, pois a palavra nasce, cresce, deriva e morre. Lógico que nem todas as palavras, mas uma grande parte delas. Isso é um processo que considero normal em uma língua viva.
Eu estava especialmente pensando na palavra COVARDE.
O dicionário Houaiss diz a respeito o verbete.
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Covarde |
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Datação sXIII cf. IVPM
Acepções
■ adjetivo e substantivo de dois gêneros 1 que ou quem age com temor diante de alguém ou de algo
; que ou quem não apresenta valentia
Ex.: <homem c.> <os c. sempre fogem das discussões>
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Estava me perguntando o que representa realmente o covarde. A definição da palavra covarde é simples, mas por quais atos uma pessoa deve se sentir ou não covarde?
Em geral vemos pessoas com espantoso desassombro para atitudes radicais, mas com pouca postura diante de pontos cruciais da própria vida. Quando ela (a vida) os põe numa encruzilhada, eles se fecham na concha que construíram para se protegerem. Chegamos ao ponto! Enfrentar a vida exige muito, mas muito mais coragem que pular de bungee jump ou saltar de asa delta.
Foi o que passou pela minha cabeça durante a sessão de higiene bucal.
Tenho visto por aí tantas pessoas vivendo a margem de si mesmas, tentando mostrar coragem com atos vazios (como costumo dizer, pulando de ópio em ópio para sobreviver) ou se destruindo aos poucos, quando viverem suas vidas e assumirem o risco de serem felizes seriam atitudes que exigiriam muito mais coragem do que qualquer outra.
Ando muito preocupada com as gerações que estão chegando. Tenho uma sobrinha que foi criada “à nossa maneira”, mas que vai viver num mundo “à maneira dos outros”. Vejo isso pelos colegas dela. Como pode uma pessoa achar que criar um filho egoísta e muitas vezes mentiroso (justamente por não terem sido preparados para enfrentarem as consequências dos seus atos) ajudará a essa criatura a se manter de pé no mundo? Fico com pena dos desenganos que virão. Como sabiamente diz minha mãe: a vida mais bate do que beija.
Todos temos medo e muitas vezes sentimos vontade de pular a fase ou recuar, eu até acho normal, mas se isso não se torna uma postura crônica. Quando estamos sempre evitando resolver assuntos pendentes, sempre tentando enganar nossas próprias consciências e os outros, isso para mim já caracteriza covardia.
Lembro de há uns posts atrás ter falado que ainda quero muito um filho e é exatamente por essa razão que essas idéias andam fixas na minha mente. Me sinto responsável por nutrir meu possível filho com elementos que lhe deem força para uma visão real da vida e o impeçam de ser um covarde. Quero que ele tenha estrutura para enfrentar dificuldades sem depender de qualquer elemento externo. (Sim, eu me refiro ao vício ou a comportamentos de vício.)
Eu passei muitos anos vendo o que os pais estão fazendo com seus filhos e consequentemente vendo a sociedade caminhar para o caos em função da falta total de estrutura das pessoas que a formam.
Pode parecer exagero, mas um olhar mais apurado em volta vai perceber que muitas pessoas estão na vida, mas muito poucas efetivamente estão sabendo viver.
Beijo grande.
Volto semana que vem!
Drikka

criado por dri.mo
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