20/11/08
Ora, direis ouvir estrelas…

Eu havia planejado escrever sobre assunto completamente diferente essa semana, mas como dizia minha avó “o homem põe e Deus dispõe”.
Pretendia (o texto está inclusive começado) falar da educação moderna, mas uma notícia recebida ontem, mudou completamente o foco dos meus pensamentos.
Um amigo que amo muito, me ligou triste à tarde comunicando que a mãe dele (uma amiga também muito querida) havia falecido após um período de internação. O impacto da notícia levou minha mente ao passado, às pessoas que já se foram e a uma reflexão sobre a morte.
Sou Espírita e sei que o corpo, empréstimo abençoado que um dia devolveremos, é somente um invólucro, um frasco que guarda ou não, sublime essência, mas é exatamente por ser Espírita que reconheço as limitações da minha atual condição. Por mais que compreenda a morte como parte da vida, ela é sempre dolorida.
Somos seres com trajetórias próprias que se encontram e em algum lugar trilham em paralelo. O grande problema se dá justamente quando nos vemos novamente caminhando “sozinhos”. É muito difícil se acostumar a caminhar novamente assim.
Se pararmos para pensar, a vida é um vai e vem de gente. Parando para pensar mais um pouco há várias pessoas que um dia já fizeram parte da nossa vida e hoje não sabemos onde se encontram. Será que as amamos menos por isso? Será que a contribuição delas em nossas vidas será esquecida?
Mal comparando, a morte é um processo semelhante. As pessoas que se vão deixam suas marcas, apenas não vamos vê-las mais. A dor se torna saudade, porque o amor nós o levamos para sempre (Sim, eu vi GHOST. E não foi uma vez só.).
Gosto de pensar nas pessoas que encerraram seu percurso nesse lado da vida como estrelas. Olhando para o alto podemos vê-las, só não podemos tocá-las, mas nem por isso elas deixam de ser reais. Elas estão lá nos mirando como olhos carinhosos e nos acompanhando a caminhada que ainda continua. A medida que a constelação aumenta, o céu se torna mais bonito por causa do brilho de cada uma delas. É como se dissessem : Eu estou aqui.
Prefiro me lembrar delas com saudade e não com dor. Se não posso mais abraçá-las, que sintam que meu coração as terá para sempre. Eu ainda as amo.
Esse post é só uma pequena reflexão, porque não desejo relembrar nada que doa e nem deixar as pessoas que lêem o que escrevo com aquela sensação ruim de quem remexeu as gavetas que estavam fechadas há muito tempo.
É uma homenagem as várias pessoas que passaram pela minha vida e me ajudaram a ser como sou hoje. Me ajudaram a ter força, a lutar, me ensinaram a ser melhor.
Essa amiga que se foi ontem, cruzou sua trajetória com a minha por breve tempo, mas sem dúvida um tempo de qualidade imensurável.
Sônia, sentirei saudade!
criado por dri.mo
20:44 — Arquivado em: 

Lindo texto!!! Beijos
Comentário por Luiz — 24 24UTC novembro 24UTC 2008 @ 12:57