Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

12/1/12

One way people

Eu pensei que só eu notasse que a sociedade de consumo avançou insensivelmente sobre as relações humanas.

Hoje pela manhã postei um pequeno texto explicativo sobre um dos motivos pelos quais ando irritadiça, estressada e consequentemente chata.

Explicava eu que não faço nada esperando que as pessoas me retribuam, mas que ando meio decepcionada com um determinado tipo de ser humano que parece estar brotando do chão nos últimos tempos. Os amigos que só são seus amigos, quando convém a eles, pois quando não convém nem bom dia você recebe. Tenho encontrado muitas pessoas assim e isso tem me afetado muito.

Hoje eu resolvi postar sobre isso e qual não foi a minha surpresa, quando vi que tem mais gente se queixando da mesma coisa. E nem todas as pessoas moram no mesmo país, ou seja, é pandêmico.

Não sei se é efeito da criação que as pessoas recebem focada no próprio umbigo, não sei se é de cada um mesmo. Só sei dizer que tenho encontrado esses “amigos” all over. Egoísmo sempre houve, mas parece que agora está pior e piorando a cada dia.

Uma das pessoas que comentou chamou a atenção para o fato de que não importa há quanto tempo você conhece a pessoa. Ela pode ser revelar a qualquer minuto e mudar da água para o vinho como quem emborca um copo cheio de dados para começar a partida de um jogo. É, é bem assim…

Não entendo como é possível conviver e não desenvolver no mínimo respeito pelo ser humano. Tá, tem gente que irrita, mas se afaste com dignidade, se um dia você foi capaz de dizer que era amigo dessa pessoa. O respeito é o mínimo que se pode ter por alguém. Daí vêm todas as outras coisas.

Eu tenho sentido muita falta de reciprocidade no respeito que procuro ter pelos outros.

Talvez seja culpa do meu comportamento. Tem horas que acho que sou permissiva demais. Deixo as pessoas se aproximarem e tomarem espaço. Às vezes, espaço demais. Mas não vejo graça em viver na defensiva mais do que a própria vida já me ensinou a ficar.

O preço disso é ser vítima de quem não enxerga além do seu próprio quadrado. É ser descartável, como tantas outras pessoas.

Sim, tenho AMIGOS, graças a Deus, mas é quase impossível não nos sentirmos tristes com o rumo que as coisas estão tomando e no que o mundo está se transformando. Além disso, sou humana e gostar de uma pessoa, confiar e depois ver que não era bem assim, ainda fere. Passa, mas fere.

Beijo grande.

criado por dri.mo    19:57 — Arquivado em: Sem categoria

10/1/12

Forever young – Será?

Hoje estava conversando com um amigo que me disse que eu era uma pessoa exigente, por isso não tinha namorado.

Tentei explicar, mas confesso que usar o Twitter para discorrer sobre a complexidade humana é correr o risco de ser mal interpretada, pois 140 caracteres é muito pouco para assuntos que necessitam de muitas palavras.

Também é impossível tentar explicar sem antes dizer que parte do meu cansaço e estresse atuais vem das pessoas. Ando cansada me ver só, quando efetivamente preciso de ajuda e sempre ser requisitada e lembrada, quando precisam de mim.

Não. Eu não faço nada esperando algo em troca, mas a minha confiança tem sido bem vilipendiada ao longo dos anos. Confesso que ando cansada das pessoas que com um sorriso e um monte de palavras vão tirando e sem que você perceba, já doou mais de si do que deveria. Considero essas pessoas criminosas, pois roubaram o tempo de quem realmente precisava do meu tempo e eu, conivente, pois deveria ter-lhes definido o espaço logo de início.

Curioso é perceber que muito embora sejamos uma minoria, existem mais pessoas que se sentem do mesmo jeito.

Outro fato é que o mundo parece ter esquecido que o caminho natural da vida é o avanço da idade e com ele as mudanças inevitáveis do corpo. Sinto que na idade em que estou, mesmo não sendo avançada, para a maioria das pessoas, eu sou velha (Sim, tenho ouvido isso de muita gente, sob pretexto de piada ou a sério.). Eu e as minhas amigas que têm a mesma idade. (Para quem ficou curioso, eu tenho 40 anos e não me importo a mínima que saibam.)

Apesar do comentário acima, não fico zangada, mas observo de longe essa turba louca tentando ser um cânone grego e manter a carinha esticada para sempre. Os Dorian Grays ambulantes são quase tão numerosos quanto um exército de terracota vivo. Seres artificiais e inexpressivos marchando diretamente com olhos vidrados e expressão inexistente (claro, é o botox) rumo a Shangri-La. Só que Shangri-La não existe, exceto no romance de James Hilton e ainda assim é uma metáfora. São pessoas tentando manter a juventude e com isso esquecendo que cada fase da vida tem seus encantos e sua maneira de ser vivida. Assim como a morte, para quem permanece vivo, envelhecer é certo.

Só que o mundo hoje parece ser deles que movimentam a indústria do consumo e da beleza. Pessoas que tornaram tudo pragmático, até a convivência.

Reparem na facilidade com que as pessoas descartam as outras. Se hoje estão aqui, amanhã já não estão mais. Reparem como não olham para o outro, como não se preocupam. As relações atuais são baseadas puramente no corpo ou no interesse. Não se criam mais laços reais e não se têm mais comprometimento. Com a educação que recebi, meu canto no mundo está ficando cada vez menor, à medida que o “exército” avança.

Sinceramente não sei entrar pela metade nas coisas. Se eu gosto de alguém, gosto mesmo, por completo, seja amigo, seja amor. Procuro estar com a pessoa, mesmo de longe e procuro ajudar. Não gosto de mentiras (sabendo que algumas são necessárias por caridade) e acho que tudo pode e deve ser conversado. Acumular lixo faz muito mal à saúde. A pior solidão é a solidão acompanhada pelas expectativas que cria, pois é um relacionamento em geral, unilateral. Um só tenta o tempo todo fazer com que o outro que vive em seu mundo próprio, venha para a Terra. Eu já tive isso, prefiro ficar só de fato.

Eu quero alguém que me veja e não que finja que me vê para conseguir alguma coisa. Alguém que me pergunte o que há, e quando houver alguma coisa, me escute e não alguém que simplifique tudo em um “everything is gonna be all right”. Isso dói, porque soa como pouco caso. Preciso de alguém que não ache que ser sensível às coisas que acontecem é bobeira, que entenda que minha primeira reação é o abalo e depois o equilíbrio. Quero profundidade, eu cansei de pessoas rasas. Eu mergulho de cabeça, por isso preciso de profundidade.

Entendam que não culpo as pessoas por serem fúteis, o mundo não tem colaborado muito com o espírito fraco delas e não saber como agir, as torna mais egoístas a cada dia. Também eu tenho meus “perhaps”, como diz um amigo. Estou apenas respondendo a pergunta que me foi feita.

Não acho querer um companheiro e não um namorado para pura e simplesmente exibir, seja ser exigente demais. É o mínimo que se pode esperar da vida, pois ela é feita de construções. Além disso, eu ando buscando profundidade em todas as relações. Cansei da superficialidade das pessoas. Nada pessoal, é processo meu mesmo.

Eu busco sentimento e não sensação. O que alimenta o corpo não sacia a alma e é ela quem está “faminta” agora.

Beijos.

Drikka

criado por dri.mo    23:07 — Arquivado em: Sem categoria

3/1/12

Algumas resoluções de Ano Novo

Esse post deveria ter saído ano passado, mas eu não tive concentração suficiente para escrevê-lo.

Como todo bom ser humano da face da Terra (os otimistas, pelo menos) eu renovo as minhas esperanças para o ano que começa e tomo algumas resoluções, e como todo ser humano que se preza, nem tudo eu consigo levar adiante, mas procuro cumprir a maior parte da minha lista.

Sabendo que a esperança é a última que morre e creia-me, quando ela entra na fase moribunda, você já está morto há muito mais tempo, eu tomei algumas decisões simples para o ano de 2012. Espero cumprir a lista completa, para não deixar a minha esperança no vácuo e levá-la ao CTI.

Lista de resoluções para 2012:

1 – Não é preciso ser egoísta e deixar de ajudar às pessoas, mas eu preciso entender que não posso absorver os problemas alheios. Isso causa estresse e não ajuda a ninguém.

2 – Preciso ser menos “onipresente”. Sinto uma imensa desvalorização de mim mesma com essa mania de “estar sempre ali”. Ser solidária não significa estar disponível todo tempo. Eu PRECISO entender a diferença. Isso vai ajudar a reduzir o impacto da fase “não estou precisando mais”. Isso também me ajudará a parar de insistir nas pessoas que se afastam.

3 – Vou focar nos meus objetivos. Nesse momento, eu preciso muito de mim.

4 – Vou me empenhar mais na academia para tentar reduzir o estresse inevitável com as mudanças da vida. O ano vai ser puxado, eu já sinto.

5 – Vou tentar sair mais, conhecer mais gente, aumentar meu espectro. Gente nova é sempre bem-vinda.

6 – Vou tentar começar minha pós. Vamos ver se o dinheiro ajuda.

7 – Prometo tentar evitar as pessoas para as quais sou transparente. Transparente no sentido de não me verem. Em geral, são pessoas que levam muito sem nada trazerem. Eu creio na troca de energia e não em vampirismo.

E por último:

8 – Prometo estender a prática da fuga do vampirismo aos homens, caso contrário, prefiro ficar sozinha. Quero construir algo interessante e não servir de muleta para alguém.

Na verdade, a lista é feita de itens que eu já deveria ter cumprido em muitas listas anteriores, mas foram sendo postergadas pela inabalável fé que eu tinha na sinceridade das palavras das pessoas e que 2011 modificou.

Continuo tendo fé nas pessoas, só que com mais cautela.

Beijos, volto outra hora.

criado por dri.mo    11:42 — Arquivado em: Sem categoria

18/12/11

De quem é realmente a culpa?

Hoje me fizeram uma pergunta muito interessante. É curioso, pois é um tema em que tenho pensado e muito nesses últimos dias. A pergunta é simples: “O capeta escolhe dia pra atentar ou é coincidência???”

O que eu respondi, não vem ao caso nesse momento. Preciso antes voltar há um passado não muito distante no tempo, mas muito distante (perdoem a sinceridade) na minha mente.

Quando eu ainda dava aulas, a maioria das crianças era evangélica. Nada contra evangélicos, mas é que particularmente eram eles que mais usavam como “desculpa”, que o diabo havia atentado o juízo deles. Bastava acontecer alguma coisa errada para acusarem o “outro” pelo ocorrido.

Nesses casos, costumava eu dizer para eles que o “outro lá”, tinha as costas bem largas, mas que na verdade, ele só dava a ideia. Isso já não é pouco, mas é o que não permite sermos isentados da culpa de aceitá-la. Não preciso dizer que isso me causou certo digamos, desconforto com os pastores, mas como tudo na vida, o desconforto passou.

Sim, eu acredito piamente que nada do que fazemos é alheio à nossa vontade. Se for entrar no mérito da questão das influências exteriores, a sugestão só vai de encontro a uma vontade que já existe em nós. Nada além disso.

Por essa razão a minha resposta para a pergunta que me fizeram, foi exatamente essa. O cuidado maior que temos que ter não é com o que nos sugerem, mas com a nossa vontade. Aquela que já existe, mesmo que não sintamos a presença dela e que torna praticamente irresistível a tentação que se apresenta. Às vezes, eu tenho a sensação de que as coisas funcionam como se nossa vontade, achando eco na voz da influência externa ganhasse a aparência de um sonho se realizando, de um passe de mágica ou uma solução miraculosa.

O mundo é 99% tentação.

Eu tenho pensado muito sobre as tentações. Não falo de fora, mas de dentro, pois eu não sou imune a elas. Elas também me cercam e não são poucas. Por essa razão achei a pergunta oportuna e que valeria falar sobre ela.

Algumas dessas “sugestões” me venceram, outras ainda me cercam. Há as que já não me cercam mais, pois me deixaram antes que eu sucumbisse totalmente, mas o importante é que tenho tentado manter o foco e ser o mais resistente possível.

Muito embora, Oscar Wilde dissesse que a melhor maneira de vencer uma tentação é entregar-se a ela, nem sempre essa é a nossa melhor escolha. Muitas vezes o desastre só é percebido depois, quando já é tarde demais.

Bem, vamos lá. Amanhã é dia de trabalho.

Beijocas.

Drikka

criado por dri.mo    22:53 — Arquivado em: Sem categoria

13/12/11

Moda = equívoco

OK, eu sei que vão dizer que não sou a Glorinha Khalil ou a Constança Pascolato, mas vamos combinar que um pouco de bom senso na hora de escolher o visual é desejável.

Mesmo sem ser expert, eu procuro (ainda mais, quando não tenho certeza do resultado) usar o mais simples possível. Sim, sou do tipo que prefere pecar pela falta que pelo excesso. Acontece que a maioria das pessoas não pensa assim e a rua se torna um mar de aberrações.

Tá, vá lá. Algumas são apenas leves bola fora. Batido o lateral, dá para voltar ao jogo, mas tem umas coisas…

Sempre penso na minha amiga Glória quando vejo essas coisas. Entre os erros mais comuns existe um que é perfeito para a frase que ela sempre usa: It´s not because something fits you that it suits you. Como tem gente que pensa que qualquer corpo pode vestir qualquer roupa. Eu não contenho meus pensamentos, quando vejo umas roupas MUITO justas em corpos mais cheinhos. Pelo menos um camisão, pessoal. Pelo menos um camisão. E por aí vai.

Divertido também é a criatividade de algumas pessoas. As “estilistas” de plantão estão por toda parte. Há coisas que ficam interessantes, apesar do exagero, mas tem outras que causam um impacto negativo impossível de superar.

Para não cansar todo mundo falando, falando, falando, eu vou listar em tópicos que torna a leitura mais suave.

Sobrancelha preta – Eu costumo chamá-las de mulheres capeta. As mulheres capeta estão por toda parte. Não se trata de um leve lápis para completar falhas e dar destaque. Isso é muito pouco. Trata-se de REDESENHAR as sobrancelhas com um lápis ou um delineador e ficar parecendo o negativo do retrato do Ronald McDonalds. Isso me hipnotiza como poucas coisas. Me lembro ainda da total desconcentração no guichê da Parmê na hora de pedir meu almoço. A atendente do caixa havia feito isso e ainda usava uma discretíssima sombra azul bebê. Eu juro, eu quase pedi uma sobrancelha preta pro almoço.

Calça santropança – Eu estou fazendo academia, porque acho que a minha barriga está fora das proporções necessárias para uma calça dessas, mas tem gente que não acha. A barriga caindo por cima da calça me deprime como poucas coisas. Nada contra a pessoa ser gordinha, ter barriga (acontece), mas destacar esses pontos eu não acho positivo.

Roupa de frio com sandália ou shortinho – No Rio não temos exatamente algo que se possa chamar de inverno, mas tente entender que se você tem o verão na metade do corpo e o inverno no outro, você tem problemas graves de termostato. Eu estava uma vez no metrô e entrou uma moça que chamou a minha atenção. Descendo os olhos por ela, fui acompanhando a “lógica da vestimenta”. Ela usava um cachecol enrolado no pescoço (quase um colar cervical de tanto que esticava o pescoço dela) um tailleur e… TARAM! uma sandália com os dedinhos de fora. Preferi atribuir o “equívoco” a uma unha encravada que não suportaria um sapato fechado. Detalhe: nem estava tanto frio para aquele cachecol.

Quanto ao shortinho, nem quero imaginar a razão que faz alguém sentir frio em cima e calor embaixo.

Acessórios metalizados durante o dia – Concordam comigo que no Rio o sol é de uma intensidade desértica e que qualquer superfície que seja reluzente, pode causar danos a quem não usa óculos de soldador, mas até dá para usar, se você tiver bom senso (sempre). Uma vez, estava pronta para saltar do ônibus e vi do meu lado uma moça com uma imensa bolsa prateada. Fazia um sol daqueles e o reflexo veio direto em mim. Não preciso dizer que fui revistar o restante. Tinha pedaços brilhantes no brinco, na blusa, a bolsa e a sandália. Devido à intensidade da luz e o excesso de brilhos, ela parecia o letreiro de um cassino de Las Vegas. Tudo reluzia e tinha movimento. Por favor, não é porque algo está na moda que ele deve ser usado até a exaustão, tampouco ao mesmo tempo, dependendo do que seja.

Unhas “artísticas” – Me perdoe quem gosta, mas tenho nervoso de desenhos nas unhas. Em geral são decorações tão breguinhas. Algumas são até muito bem feitas, mas são muito estranhas.

Diferentes estampados na mesma combinação – Não importa se um estampado é “leve” ou os dois são “pesados”. Ou usa a mesma coisa em tudo (não é bom, mas é melhor que nada), ou coloca uma peça neutra para contrabalançar.

Falando nisso, me lembrei um “bad day” de um conhecido meu. Ele morava (sabe lá Deus se ainda mora e onde mora) fora e me mandou uma foto de uma viagem de férias. Ele até tentou usar o mesmo estampado, mas a coisa não deu certo. Era estímulo visual demais. Ele não gostou muito, quando eu falei isso, mas…

Tudo junto em um visual só – Tem gente que, quando erra, erra para valer. Já vi muita gente assim. Uma vez, uma amiga estava “desse jeito” e veio me perguntar o que eu achava. Óbvio que não tive coragem de ser sincera, mas meu cérebro não se conteve. Quando a pergunta veio, a resposta surgiu como um relâmpago:

“E aí, Drikka? O que você acha? Falta alguma coisa?”

“Falta. O pisca-pisca.” (Eu só pensei. Eu só pensei.)

A lista poderia ir muito mais longe, mas eu agora não estou lembrando de mais nada. Prometo que sempre que me derem munição, voltarei ao assunto.

Espero que esse post compense de alguma forma os posts tristes e para baixo que tenho dividido com vocês.

Beijocas e boa semana. (Sim, ainda dá tempo de desejar.)

Drikka

criado por dri.mo    22:04 — Arquivado em: Sem categoria

11/12/11

E = mc2

“Life is more than mc2”. Ainda me lembro da música que tocava em uma das lições do curso de inglês.

Teorias nem sempre são somente teorias. Comprovei sábado uma das minhas. O que magoa não é tanto o q se faz, pois em muitos casos fazemos o que deve ser feito. O que magoa é a forma que escolhemos para fazer o que nos parece correto.

Eu não sei se amo ou se odeio essa minha capacidade de equacionar a vida e comprovar minhas teses. Em todo caso, vamos lá.

Um casal amigo chegou ao fim do seu relacionamento. Até aí, nada demais. Muitos casais se separam e isso acontece todos os dias mesmo que não seja o esperado. Para alguns o ciclo de acompanhamento se encerra em algum lugar diferente da morte de um dos dois. O problema não está no fato em si, mas na forma como os acontecimentos se desenrolaram. Sem dúvida, se tivesse sido diferente, a mágoa seria bem menor.

Não vem ao caso dizer o que aconteceu. Interessa discutir o cuidado que devemos ter com as pessoas que dizemos amar. Essa é a verdadeira questão.

É fácil entender o que move uma pessoa para dar início a uma relação, o difícil é entender porque essa mesma coragem não existe para ser claro, quando é necessário dar fim ao que chegou ao fim.

Queria entender a razão pela qual uma pessoa escolhe se afastar silenciosamente da outra sem dar uma luz sequer que ajude a outra a ter uma localização exata de onde está e principalmente como está e que papel ainda desempenha. Creiam-me, sumir, se afastar, fingir que nada acontece e jogar indiretas, são métodos nada bons de serem usados. Eles doem, eles ferem e desgastam o que poderia se tornar uma boa amizade em função do histórico vivido.

Nossos alçapões emocionais são as zonas escuras da nossa alma. Aqueles lugares em que não desejamos mexer. Todos nós os temos, mas será que isso nos isenta da responsabilidade pelas coisas que deixamos de fazer ou que nos faz ampliar a dor do outro?

Eu não sei, sabe. Só sei que vi tanta mágoa que poderia ter sido evitada. A situação remexeu minhas situações interiores. Todos temos o direito de mudar de ideia e redirecionar a própria vida. Algumas vezes, o que nos parece maravilhoso em um momento, se mostra problemático ou simplesmente perde o interesse de uma hora para outra, mas acho que a coragem que se tem para dar a partida, deve ser a mesma coragem usada para colocar o ponto final. Só isso.

Magoar alguém é muitas vezes inevitável, mas sempre nos resta a opção de magoar o mínimo possível. E isso vale para todos os tipos de relacionamento.

Tenho pensado muito sobre isso esses dias, meu amigo só me fez escrever sobre isso.

Beijocas.

Drikka

criado por dri.mo    23:05 — Arquivado em: Sem categoria

26/11/11

Sobre todas as coisas…

“A amizade sincera é um santo remédio

É um abrigo seguro”

Os dias andam estranhos. Tenho sentido muito a pressão de todas as coisas que andam ocorrendo e isso tem me deixado mais arredia do que costumo ser. Parece que de uma hora para outra, tudo resolveu mudar de aparência, tudo resolveu mudar de destino. Eu estou custando, mas vou me reequilibrar.

Tenho dificuldade em lidar com mudanças venham elas de mim ou dos outros. Eu preciso sempre de um tempo para arrumar tudo, principalmente quando a decepção ou a mudança são muito grandes.

Nem sei se é sobre isso que eu quero escrever. Tenho pensado muito sobre muitas coisas e não tenho gostado nada do que tenho pensado. Me sinto cansada de tanta coisa…

Tenho me perguntado muito porque as pessoas magoam as outras deliberadamente, porque fazem coisas que sabem que vai machucar depois, porque só conseguem ver seus próprios interesses e depois que se dane o resto. Egoísmo cansa.

É, tenho me sentido assim. Sabe aquela sensação de ter sido enganado? Aquela sensação de ter sido usado? Se ao menos eu tivesse certeza… Eu me sinto estranha mais uma vez e como nada é diretamente dito a respeito, tenho medo de estar sendo injusta, mas tampouco creio em coincidência. São muitos os sinais.

Essa é uma das coisas que têm me deixado bem azeda, a possibilidade da falta de sinceridade. Tem gente que prefere o silêncio a assumir o que realmente quer e depois reclama quando é mal interpretado. Mas os silêncios podem ser preenchidos com qualquer coisa. Umas vezes acertamos no preenchimento, noutras erramos. É por isso que estou em suspenso, apenas aguardando.

Só não vale cometer o mesmo erro e roubar o tempo de quem meu tempo merece.

A vida é meio assim mesmo, de decepção em decepção, vamos caminhando. O importante é não desistirmos de tentar. Sempre.

Esse post está triste e confuso, mas certamente me ajudará a ter uma semana melhor.

Beijocas.

Drikka

criado por dri.mo    21:05 — Arquivado em: Sem categoria

21/11/11

O ser ideal

“IDEAL - Que só existe na ideia (mundo ideal); IMAGINÁRIO; FICTÍCIO”

Há coisas que acontecem que nos fazem pensar. Eu adoro as conversas que passam por mim na rua. É como se a vida se derramasse nos meus ouvidos clareando diversos pontos obscuros e me fazendo olhar para dentro de mim mesma.

Outro dia ouvi uma conversa onde alguém alegava que outra pessoa não era a pessoa ideal e por isso a relação não dava certo. Agora, o que é ser uma pessoa ideal?

Recorrendo ao meu grande amigo Caldas Aulete, vi que a definição de ideal é sempre relacionada a algo imaginário, algo que existe no mundo das ideias. Se é assim, como podemos cobrar de alguém real ser ideal?

Perdemos muito tempo na nossa vida imaginando coisas e deixamos de ver a realidade.

Pelo que pude ouvir da conversa, a moça havia definido um padrão comportamental para outra pessoa e esperava que essa pessoa seguisse o script exatamente como a imaginação dela o havia programado. Achei interessante, pois na mesma hora me ocorreu que eu não consigo seguir à risca todas as coisas que eu mesma programo para mim, então como fazer outra pessoa seguir a minha vontade?

Conversando com uma amiga psicóloga eu descobri que é possível “criar alguém” e se relacionar com essa ideia (ou pelo menos tentar) mas o preço que pagamos por isso é muito alto. Ao idealizarmos uma pessoa, desejamos alguém que jamais existirá e perdemos a chance de vivermos momentos muito felizes ao lado de uma pessoa que do jeito que é, é maravilhosa.

Não sei bem se cresceríamos como pessoas, se só convivêssemos com pessoas ideais. Elas não têm defeitos e não agem senão de acordo com aquilo que queremos ouvir e eu creio firmemente que precisamos dos defeitos alheios para nos ajudar. O inesperado da falta de programação do outro nos enriquece de uma forma absurda e evita que o tédio se abata sobre nós. O tédio é um veneno para a alma.

Eu já amei uma pessoa ideal, hoje quero uma pessoa de verdade. Uma pessoa que também queira uma pessoa de verdade e não uma pessoa ideal.

As lembranças têm vindo muito fortes esses dias. O impulso para a reflexão cada vez maior. Novos rumos, novas visões se construindo… Estado de crise.

Engraçado como pessoas podem ser benéficas mesmo que somente passem rápido pelas nossas vidas como se estivessem em uma esteira. Acho que é por isso que com todas as decepções, eu nunca desisto de querer mais e mais gente por perto.

Beijocas.

criado por dri.mo    19:30 — Arquivado em: Sem categoria

15/11/11

Como assim?

A conversa de hoje na cozinha entre mim e minhas duas irmãs girava em torno de um assunto que me deixa nervosa só de pensar: abusos nas relações humanas. Explico. Eu tenho visto cada vez mais homens se submeterem às ordens de suas mulheres e vice-versa.

Eu questiono muito essa atitude. Acho que tudo tem um limite.

Graças a esses mesmos seres humanos o casamento atualmente me parece uma cela sufocante, onde um carcereiro fica cerceando os movimentos do outro e tentando submetê-lo à sua vontade sempre.

Para que vocês entendam, explicarei os princípios sob os quais eu fui criada. Minha mãe sempre disse que poderíamos controlar a nós mesmos, jamais a vontade de outra pessoa ou sua consciência. Sempre a vi calma e tranquila em relação ao meu pai que trabalhava fora e lidava com diferentes pessoas. Ele por sua vez, agia da mesma forma. Sem discussões, sem escândalos e sem vozes de comando. Por essa razão, esses casamentos estressantes de hoje em dia não têm o menor sentido para mim.

Tenho observado os casais. Em geral, um se anula para que o outro controle. Até quando um ser humano é capaz de suportar uma situação dessas? Outro dia me deparei com um: “Ele até me deixa ir…” COMO ASSIM DEIXA IR? Quem fazia isso comigo eram meus pais e assim mesmo enquanto eu necessitei de controle. Depois disso, tudo ficou por minha conta.

Decididamente aos 40 eu atingi um nível de independência que não comporta mais isso. Tenho certeza de que se me casasse e o marido dissesse que “não me deixaria ir a algum lugar”, quando ele terminasse a frase, ouviria o barulho da porta fechando e só. E é certo que da mesma maneira que eu não quero que me controle, eu não o controlaria.

Obviamente que esse “não controle” não implica em uma relação aberta. Há limites que devem ser respeitados e se alguma atitude do seu companheiro não lhe agrada, seja franco e fale (EM CASA, SEM BARRACO) o que acha. Quem ama a outra pessoa certamente irá compreender e respeitar. Conheço casais amigos assim. Além disso, não há coisa mais ridícula do que casal brigando na frente dos outros. Segundo item, como diz minha mãe (olha ela de novo!) quem quer faz. Não adianta perseguir para tentar “evitar”.

Em suma, casar para mim é para viver em paz e em harmonia. É juntar-se para dividir as coisas e trocar as experiências com uma personalidade diferente da sua, respeitando o fato de que quando você encontrou a pessoa e decidiu casar, ela era livre e deve continuar a ser.

Minha mãe ri, quando eu digo que casar é algo que teria que ter feito mais nova, quando era mais flexível, mas acho que mesmo se tivesse feito isso mais nova, dentro desse esquema, eu já estaria separada. Sou uma pessoa espontânea e sei que isso me custaria muita censura com o estilo da maioria das pessoas de hoje e se há algo que prezo é o fato de poder ser eu mesma. Disso não abro mão.

Depois eu volto para comentar a conferência do fim de semana.

Beijocas.

criado por dri.mo    21:16 — Arquivado em: Sem categoria

10/11/11

Autossuficiência

Hoje não estou muito normal, não.

As pessoas que me conhecem devem estar me estanhando e muito. Não estou com muita vontade de sorrir e meu rosto é um sorriso sempre. Some-se a isso a TPM avassaladora que está tomando conta de mim. Dito isso, vamos ao que interessa.

Abri agora o armário e vi uma pequena imagem de um orixá do Candomblé que uma amiga amorosamente fez (está linda, por sinal) e me deu de presente. É uma pequena Iansã. O curioso disso tudo foi quando ela me explicou porque tinha escolhido justamente aquele orixá.

Me disse ela que apesar de não saber exatamente que orixá me regia, ela havia escolhido Iansã pelas coisas que ela tinha observado em mim. Disse ela que me via como uma pessoa com o “ombro” sempre disponível para todos, mas que tinha imensa dificuldade em achar um “ombro” que lhe servisse. O pior, não tenho coragem de dizer não ou tratar com desdém, mesmo que esteja como hoje.

“Bull’s eye”! Ela foi no ponto de uma coisa que eu tinha observado já faz um tempo, mas que deixei ficar latente e me recusei a reconhecer diretamente. Eu me sinto assim.

Sou aquela pessoa que está sempre disposta a ouvir os problemas dos outros e por mais que para mim não pareçam tão grandes, eu os trato com o respeito que devo à pessoa que está dentro do olho do furacão. Nenhuma solução é fácil para quem está sofrendo, por isso procuram quem olhe de fora e ache a maçaneta da porta. A coisa muda muito de figura, quando eu preciso que me ajudem a achar a maçaneta.

Sinto como se as pessoas me olhassem, mas não me vissem ou me vissem e me ignorassem. Em geral, se me deixam falar, sinto que é para dizer aquilo que dá a sensação de pouco caso total com o que preciso discutir. Talvez tão somente me considerem tão autossuficiente que não precise de ninguém. Creiam-me, todo mundo precisa de ajuda uma hora em sua vida. Alguns, em muitas horas.

Há coisas que não se explicam. Como tenho sentido mais próximo o desenlace do meu post do Dejavú (http://curvello.blog.terra.com.br/2011/08/13/deja-vu/), acho que isso me voltou a mente e com tanta força, que não tenho mais como ignorar.

Beijo grande. Desculpem o azedume, mas eu precisava falar. A TPM tá que tá.

criado por dri.mo    13:27 — Arquivado em: Sem categoria
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