Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

15/11/09

Sociedade paralela

Pleno século XXI e ainda convivemos com o preconceito.

Essa frase me veio à mente depois que li uma pequena entrevista de um ator para a revista da TV.

Na referida entrevista, ele alegava que brasileiro acha que não existe preconceito aqui, mas que só sendo gordo, negro ou nordestino para saber.

Não preciso dizer que eu discordo, né? Não que não haja preconceito. Há e sempre haverá, onde houver o ser humano, mas não concordo com a colocação do ator. Ela demonstra uma visão muito estreita a meu ver. (Que me perdoe o rapaz.)

Vamos recorrer ao dicionário Aulete para definirmos preconceito. (http://aulete.uol.com.br). 

preconceito

 (pre.con.cei.to)

sm.

1. Opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; PREJULGAMENTO: “…existia algo no mundo que tornasse compulsório ou indispensável ter uma vocação? Positivamente não, trata-se de um mero preconceito.” (João Ubaldo, Diário do farol.))

2. Atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos, ideias etc., em relação a sexo, raça, nacionalidade, religião etc. (preconceito racial); INTOLERÂNCIA

3. Ideia ou juízo fundado em crendices e superstições; CISMA: Era um homem cheio de preconceitos irracionais.

[F.: pré - + conceito]

Se pegarmos a definição 2 do dicionário, a exclusão de qualquer pessoa da possibilidade de preconceito é injusta, pois dependendo da pessoa preconceituosa, o alvo vai variar e muito. E quem me diz que mesmo sendo negro, gordo ou nordestino e sabendo o que é preconceito, ele também não é preconceituoso a respeito de algo ou de alguém? Será que basta ser vítima do preconceito para não ter preconceito? Eu acho isso tremendamente duvidoso.

Somos humanos, portanto não estamos livres de sermos injustos em alguma coisa (ou muitas coisas).

Eu mesma acho que as novelas são injustas nos estereótipo do morador do subúrbio que mostram. Pobres gostam de gritar, são mal educados e não tem cultura. Eu não sou assim e conheço um grupo grande que também não é. Suburbanos, uni-vos! Estamos sendo vítima do preconceito dos autores de novela.

Entendam, não estou dizendo que é besteira reclamar das posições indignas das quais somos vítimas, mas o que me preocupa é que as pessoas estão se dividindo em grupos de injustiçados. Já observaram isso?

Em vez de unificarem a sociedade mostrando um convívio sem fronteiras, os grupos se juntam de acordo com as “injustiças” e se tornam de certa forma “rivais” do restante da sociedade.

Eu não vejo vitória nenhuma nisso. Vejo sim, a criação de sociedades paralelas.

No que diz respeito à consciência, não conseguiremos nunca mudar a mentalidade do outro a menos que esse outro queira mudar. Se quisermos efetivamente erradicar o preconceito, seja ele qual for, temos que começar por modificar a educação das gerações futuras e não caminhar de processo em processo ou de lamúria em lamúria.

Mais uma vez me vejo no dever de explicar que se uma pessoa, qualquer que seja a situação, se veja privada de um direito por discriminação deve sim recorrer à justiça. Ninguém pode impedir outra pessoa de viver.

A maior vítima do preconceito, não é quem recebe a ofensa, mas quem ofende, pois demonstra ser atrasado e não disposto a mudar.

Por isso, meu caro, não me leve a mal. Não estou tentando tolher seu direito de reclamar, estou apenas tentando mostrar a você que quem tem que saber o seu valor é você mesmo e não os outros. Os outros raramente nos reconhecem as qualidades. E respeito muito embora assim se diga, não se impõem e sim, se conquista. Se você tiver certeza do que você é, a ignorância das pessoas dói muito menos. Aproveite portanto as “pedras” que atiram para construir novos conceitos, pois como disse acima, em algum lugar da nossa alma, ainda reside algum tipo de sentimento de discriminação e corrija a única pessoa a quem você pode mudar que é você mesmo.

criado por dri.mo    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

1/11/09

Samba do avião

“Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro

Estou morrendo de saudade…”

Tom Jobim

 

Meu caso de amor com a cidade é antigo e duradouro, coisa rara nos dias de hoje. Só lamento que muitas pessoas não entendam isso.

O comentário é estranho principalmente pela foto que ilustra o post e que não é do Rio. A foto acima é da praia de Boa Viagem em Recife. Eu estive por lá na última semana e quando saio do Rio, sempre me pergunto se aguentaria morar longe e só visitar a cidade.

Entenderam agora o título, não?

Eu adorei Recife. O caso não é esse. Nossa região nordeste é belíssima, desde o céu (sim, é diferente) até o mar. O sol constante é um atrativo e tanto, além da comida ser de deixar qualquer pessoa sem saber por onde começar, mas pensar em ver sempre outra paisagem, me deixa tensa. Eu me peguei na volta para o Rio cantarolando o Samba do Avião justamente no trecho que coloquei acima.

Elegi o Rio meu lar desde sempre e lar para mim é onde meu coração vive. Eu poderia viver em qualquer lugar, mas meu coração estaria sempre aqui. Isso me faz sentir uma angústia imensa só de imaginar estar longe por tempo indeterminado.

Há algo nessa cidade que não se explica, só dá para sentir. Além disso, construí todo o meu contexto afetivo aqui. Não consigo compreender uma vida sem contexto afetivo. Fica tudo muito vazio. Não há dinheiro que me compense a falta das pessoas que amo e das paisagens que me deixam feliz.

Tenho acompanhado vários amigos que optaram por viver longe do Rio (alguns fora do Brasil) e eles sempre me parecem ansiosos, quando a data do retorno se aproxima. Lamentam, mesmo que disfarçadamente, terem que voltar para a vida que escolheram e isso me soa muito, mas muito estranho. Lógico que não são todos, mas eu diria que é a maioria.

Eu não saberia viver assim, achando o tempo curto e sentindo a angústia de voltar para uma vida sem sentido para a alma. Se pensarmos bem, é quase uma prisão.

Quero deixar bem claro que não estou julgando ninguém, apenas refletindo sobre como me sinto em relação a essa situação e tentando fazer com que as pessoas que sempre me perguntaram, por que eu nunca quis sair daqui e viver fora, entendam minhas razões. Para elas, eu resumo tudo em uma frase de Fernando Pessoa:

 

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”

 

Minha alma não seria grande longe do Rio, portanto, não vale a pena.

 

Um beijo grande e boa semana.

Drikka

criado por dri.mo    21:34 — Arquivado em: Sem categoria

21/10/09

Onde está a porta de saída?

 

A situação é grave, eu não nego. A diferença é que eu não desespero, tampouco sou daquelas pessoas que acham que a única saída para o Brasil é o aeroporto, eu amo meu país e acredito nele.

O que vivemos hoje é o caos urbano e diante disso surgem muitas teorias, muitas perguntas, muito medo, poucas respostas e nenhuma ação.

Sim, me refiro à tragédia ocorrida no último final de semana, quando tantas vidas foram perdidas. Eu conto entre essas vidas perdidas, os rapazes que decidiram que havia futuro em ser bandido. Se bem que eles já estavam “mortos” bem antes, mas…

O Rio enfrenta hoje o grande desafio de voltar a ser uma cidade realmente maravilhosa, porém a lista de problemas é imensa. Começamos por grandes desigualdades sociais que não ajudam em nada, a educação sistemática por sua vez é de qualidade discutível e o acesso à cultura eu não chamaria de fácil. Some-se a isso um povo que historicamente foi acostumado a achar que nada no país é bom e que quem tem que tomar todas as providências, resolver tudo é o governo. Na verdade não temos uma única causa para a violência e sim, um conjunto delas. É simplesmente como deixar algo explosivo perto do calor.

Eu não desculpo o governo pelo que acontece. Há muito descaso, para não dizer total descaso das autoridades com o povo, mas também não dispenso (nem poderia) a frase de Gandhi onde ele diz: “Não é o governo quem governa o povo. É o povo quem mostra ao governo como quer ser governado”. Eu não tenho a ilusão de um governo milagroso que faça algo sem que o povo se posicione primeiro e uma vez que a eleição é um ato de constituição de poder, nós somos muito responsáveis por essa confusão toda e a meu ver, somos nós mesmos a chave para o restabelecimento da ordem, mesmo porque, quem não está sofrendo, não vai se mexer para mudar o que pode ser muito vantajoso em eleições futuras.

Triste é ver que há uma certa conivência da população com essa situação. Isso talvez seja inconsciente, mas é existente, não podemos negar. Enfim…

Um dos grandes problemas que vejo como raiz do caos é sermos reconhecidamente um povo com nenhuma auto-estima e pouca identidade. Nossa colonização não nos ajudou muito e duas ditaduras foram golpes fatais na produção cultural de um país que havia se libertado fazia muito pouco tempo historicamente falando. A cultura tem papel imprescindível na aglutinação das pessoas como Nação. Sem ela, não temos como coordenar tantas diferenças em um país menor que o Brasil, que dirá no Brasil com sua imensa extensão territorial. É a cultura quem identifica o povo com a terra e o faz reconhecer essa terra como a casa onde mora e onde tudo deve estar em ordem. Esse é um fator que me preocupa bastante. Somos invadidos por qualquer manifestação cultural infeliz que apareça, quando temos tantas coisas importantes e ricas dentro das nossas fronteiras.

Outro fator que me preocupa demais é a forma com que se “educa” as crianças hoje. Sim, a sociedade degringolou quando os pais passaram a delegar suas obrigações para a televisão, o videogame, a empregada ou a escola. A formação de um ser humano equilibrado é função da família, se assim não fosse, não precisaríamos de família. Um animal só deixa suas crias livres, depois de ensinar-lhes o que é necessário e quando as sabe capazes de sobreviverem sozinhas, por que o ser humano, teoricamente dotado de raciocínio, não consegue fazer algo tão simples?

Eu sei que tem muita pobreza e a necessidade de trabalhar o dia todo dificulta muito as coisas, mas já encontrei pais pobres que se preocupavam com os filhos e pais com boa situação que tratavam os filhos como enfeite. Me expliquem, se falta dinheiro, é porque falta dinheiro, e se sobra, porque é que acontece a mesma coisa?

Enfraqueceríamos muito o que tem acontecido de ruim se a cada dia o descaso com a juventude e a infância não colocasse mais um do lado de lá, seja com arma na mão ou consumindo drogas e outros itens ilegais de uma longa lista de comportamentos autodestrutivos. Durante os anos em que dei aula, pude ver pelo menos duas formas de como as pessoas estão indiferentes aos filhos. Ou não vê mesmo a criança dentro de casa ou permite tudo. Ambos são falhas graves que levam a um mesmo resultado: indivíduos despreparados na sociedade.

O mal não se combate, se neutraliza. Quando as pessoas entenderem isso, a situação começa a mudar. Chegamos a esse patamar que aparentemente ainda não parece insustentável para muita gente, porque as pessoas não querem assumir a sua cota de trabalho na luta por uma mudança efetiva.

Se cada um assumir sua parcela por um futuro mais tranquilo, não teremos mais tanto barulho de tiro e gente morta por bala perdida. Educar é a solução.

Pausa para a palavra do patrocinador:

Atenção, senhores pais! Não é a escola quem tem que ensinar aos seus filhos a serem pessoas de bem. É o seu exemplo que fará isso. Quando educamos alguém, a primeira pessoa que temos que educar é a nós mesmos. Nada serve sem o exemplo, pois uma imagem vale mais que mil palavras.

Eu vejo uma mudança vindo. Ela ainda é um pouco lenta, pois a sociedade ainda espera que um milagre caia do céu e nos salve de nós mesmos.

Há pessoas que já percebem que o problema está muito além de qualquer governo, mas na consciência coletiva do povo que precisa ser ampliada e modificada. É trabalho lento e árduo, mas é possível. A porta de saída existe, a questão é abri-la.

Um beijo a todos.

PS: Semana que vem estarei pensando em todos vocês, quando estiver comendo camarão na praia. Depois eu conto as novidades.

criado por dri.mo    17:17 — Arquivado em: Sem categoria

11/10/09

Haikai

 

Coloca no peito um coração.

Nas mãos um trabalho

E nos lábios uma canção.

Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Haikai

criado por dri.mo    17:47 — Arquivado em: Sem categoria

27/9/09

Porque seu coração é uma ilha a centenas de milhas daqui…

Há pessoas que cultivam a solidão como quem planta um latifúndio.

Eu falo de pessoas que conheço. Não sei como elas podem ser felizes sozinhas. Eu não estou falando de casamento, não. Eu estou falando de amizade, de família, de afetividade num sentido menos restrito que as relações românticas (vamos demarcar dessa forma).

É estranho observar essas pessoas. Elas estão sempre cercadas de gente, mas a essência está preservada em algum lugar distante. A ilha que construíram dentro de si e que se torna inalcançável, porque elas mesmas naufragam os barcos de resgate, se você tentar chegar lá. Sua única saída é contentar-se em ser um farol observando à distância o que passa sem poder sair do lugar.

Eis o problema. Não sei me contentar em ser farol só e tampouco sei nadar. E mesmo que soubesse nadar, de que adiantaria?

Resolvi escrever sobre isso porque o processo é muito cansativo e desgastante. Eu creio em relações humanas com base na troca e as pessoas ilha não sabem fazer isso. Seu farol pode lhes dar a luz que for, porém você jamais receberá um sinal de volta. Elas vivem distantes da costa onde você e muitos porcento da população estão. Elas veem, são vistas, mas não há troca. Tudo é sempre unilateral.

As pessoas ilha são facilmente detectáveis. Demonstre afeto e elas agirão burocraticamente. No caso desta sua demonstração lhes atingir em cheio, elas vão sumir por um tempo como se você não existisse na vida delas ou então, jamais tivesse dito o que disse ou feito o que fez. É muito fácil isolar-se quando se vive distante e elas se isolam mesmo e isso fere quem está na posição de farol. Até que você entenda que o egoísmo é mais uma defesa que um ataque, você tem muita vontade de sumir também.

Por viverem em uma postura defensiva, elas podem ser muito “agressivas” no ponto de vista verbal e “surdas” no ponto de vista auditivo. É simples, escutar as razões do outro, significa interagir. Ilha interagindo???? Só se construir pontes. Ah, mas isso dá trabalho e pode causar perdas. Ilhas não lidam bem com perdas, elas querem ganhar sempre. O quê, eu não sei. Não vejo nenhum lucro na solidão constante.

Eu estou tentando arrumar a casa e fechar ciclos, isso me torna uma pessoa enigmática, mas falar por parábolas nem sempre é ruim. Se as ilhas tiverem olhos de ler que leiam, se não tiverem, não adianta ser direto. Elas não vão entender mesmo.

É que eu me dediquei por longo tempo a tentar resgatar ilhas. Agora, depois desse tempo, me sinto cansada das idas e vindas, dos sumiços e dos aparecimentos, das quase demonstrações de afeto que não se concretizam em uma postura firme. Entendam, não é preciso estar ao lado para que a pessoa sinta que você está.

Uma hora estou no alto, outra hora não existo. Para falar a verdade, eu não tenho certeza de que um dia estive no alto, que era vista iluminando tudo (ou tentando pelo menos). Ilhas nunca dizem o que realmente sentem. (Será que sentem? Jamais saberei.)

Esses anos de tentativa de resgate me trouxeram a sensação de ser sempre uma sombra. Não mais que isso. É uma coisa meio doida, pois a sensação que tenho é que eu conheço as ilhas, mas ninguém sabe que eu sei que elas existem ou seja, eu não existo para as outras pessoas que existem para ela. (Ai, parei! Isso me deixa confusa!)

Eu só sei dizer que vai ser muito difícil me afastar até uma distância segura, mas não dá mais. Agora, só me resta a ilha vir, senão nem eu nem Maomé iremos a ela. (Tá, Maomé era com a montanha, mas vá…)

Eu não curto solidão e lamento quem curte.

Esse post é porque achei uma carta escrita há longo tempo, quando minha luta para colocar botes no mar por uma das minhas ilhas começou.

Ilha, perto ou longe, não faria a menor diferença, nada estaria diferente e mesmo que fizesse, você jamais me diria.

Fica com Deus!

Um beijo.

PS: A foto é do Google Earth e mostra uma ilha na Croácia.

criado por dri.mo    19:50 — Arquivado em: Sem categoria

2/8/09

Nós, os imbecis e ignorantes.

Sim, eu sou da turma que acha que o Bolsa-Família é um programa eleitoreiro. (Aliás, haja bolsa nesse governo! É quase um grife.) Isso porque para mim, há várias formas de se manter o poder, uma delas é ditadura, a outra é criar no povo uma dependência psíquica ou monetária.

Para entenderem do que falo é preciso duas coisas, a primeira entenderem meu raciocínio, a segunda é ter lido a pérola (mais uma entre tantas) do Exmo Sr Presidente da República. (Nós, os que criticamos a menina dos olhos de Sua Excelência, somos imbecis e ignorantes.)

Minha linha de raciocínio é simples. Eu acho que esse programa, da forma como está constituído, não tira ninguém da linha de pobreza. A verba não é vitalícia e cada vez mais pessoas dependem desse dinheiro sem panorama futuro de melhora, o que num prazo que, pelo andar da carruagem não é curto, vai nos custar caro em termos de progresso. Além disso, se essa verba for retirada, todos retornam à linha de pobreza sem dó nem piedade. Entendam que o fato de não gerar nenhuma melhoria real na vida dessas pessoas, não invalida a distribuição da verba como socorro imediato a quem com fome e desesperado, não tem a menor condição sequer de pensar.

O que me preocupa é que não sendo essa verba uma verba “segura” e não havendo outro meio de viverem com um mínimo de dignidade, essas pessoas beneficiadas se veem em posição de obrigatoriamente manter quem garante essa verba no poder para não perderem esse dinheiro. Nas condições em que é distribuído, o Bolsa-Família é uma esmola federal, não um benefício. Seria benefício, se houvesse a previsão (leia-se obrigatoriedade) dessas pessoas deixarem de depender do favor alheio. Uma vez que uma determinada pessoa, organizasse a própria vida (se tornasse um cidadão com direitos e deveres), ela deixaria de receber o dinheiro que seria passado a outra família necessitada.

Com esse meu raciocínio, descobri que sou imbecil e ignorante.

Me lembro de um determinado discurso do então presidente Fernando Henrique Cardoso que foi vergonhosamente fracionado para que o público entendesse que ele estava chamando o povo brasileiro de vagabundo. Eu mesma procurei saber o contexto do tão falado discurso e vi que não era nada disso. Quero saber se agora que fomos chamados de ignorantes e imbecis sem meias palavras, a reação de indignação será a mesma. O discurso agora está completo, nem precisa procurar saber o contexto.

A propósito, antes que me perguntem, não, eu NUNCA votei no atual presidente e sim, eu acho que uma pessoa que almeja o cargo máximo da Nação precisa de preparo intelectual, habilidade no trato interpessoal, além de pensar antes de abrir a boca e proferir a primeira sandice que vem a mente. Ah, sim! Não, eu não morro de amores pelo Sr Fernando Henrique, mas vocês hão de convir que o PT só governa, porque a oposição a eles não é como o próprio PT. Se fosse, ainda estaríamos rodando no mesmo eixo, como fizemos por vários anos enquanto eles almejavam o poder.

A declaração infeliz do presidente do país em que nasci me deixou irritadíssima!

Eu queria saber quem é mais imbecil, se ele que só constrói metáforas de futebol, mal e porcamente consegue ler um discurso, come todos os esses dos plurais e faz piadas imbecis do tipo “livro bom é livro em branco” ou se as pessoas que enxergaram que ele é um fake. O mínimo que se espera de um líder é respeito pelo povo que governa.

Minha última esperança ainda é a CPI da Petrobrás.

Beijos e boa semana.

Drikka

criado por dri.mo    23:16 — Arquivado em: Sem categoria

26/7/09

Vanguarda de ser

 [Como o Terra não me permitiu colocar a imagem, fica o link:
http://tv1.rtp.pt/antena2/images/articles/784/2481d4736b452823c0a89c5e509771a8.JPG ]

Não me perguntem bem como as coisas aparecem no meu pensamento. Elas simplesmente aparecem. Às vezes eu acho que ideias têm vida própria.

Eu estava pensando essa semana sobre a sociedade em que vivemos. É certo que desde que o mundo é mundo, o conceito de liberdade é discutido e “essa tal liberdade” é buscada, mas nunca se chegou a um consenso.

Eu tenho para mim que liberdade é saber fazer uso da liberdade, caso contrário, perdemos a liberdade que temos. Ser livre para mim, não significa não estar presa em um lugar. Significa escapar das armadilhas que a busca desenfreada da liberdade pode armar.

Tenho observado um certo desespero nas pessoas para serem sempre completamente diferentes das outras pessoas “presas”. Muitas buscam no visual a diferença, outras tantas se cercam de opiniões equivocadas e se tornam meras repetidoras de crenças que não são as suas, mas que de alguma maneira agridem e os destacam dos demais do seu grupo. A única coisa que não percebem, é que quanto mais diferente você quer ser, mais igual você se torna.

E essas tentativas são normalmente muito desastradas e trazem prejuízos para as pessoas e a sociedade. Essa busca de liberdade fere padrões legais e morais do grupo e causa desequilíbrio geral.

Selecionar idéias, classificá-las e descartá-las é processo normal da mente, não constituindo vergonha alguma estar de acordo com parâmetros considerados antigos pelos “modernos libertários”, desde que isso esteja perfeitamente claro na SUA mente.

Eu estou falando isso tudo, porque sinto que é cada vez mais difícil ser eu mesma em uma sociedade cheia de regras para não aceitação de regras. Eu sou diferente das pessoas que acham que liberdade é estar sempre buscando a liberdade.

Uma pessoa realmente livre precisa perder o tempo de sua vida e os esforços de seu ser buscando algo que já tem?

Isso para mim representa a verdadeira vanguarda, pois eu não aceito ser diferente do que sou. Ser eu mesma é muito mais difícil do que me deixar moldar pela opinião dos outros. E não foram poucas as vezes em que fui solicitada a fazer isso, seja por ter religião, seja por não gostar de drogas entre outras coisas.

Deixar-se moldar pela opinião alheia é estar preso ao que os outros pensam, querer fugir de afetos e implicações é estar preso a limitações, depender de fatores externos para ter equilíbrio é estar preso a esses fatores.

E preso é antônimo de livre.

 

Beijos e até a próxima semana.

Drikka

 

 

 

criado por dri.mo    21:13 — Arquivado em: Sem categoria

21/6/09

Túnel do tempo

null

Eu tenho que ser sincera, depois de tanto tempo sem escrever, eu estava me preparando para jogar minha irritação em bites no meu blog, mas eis que uma deliciosa viagem no túnel do tempo, me levou de volta aos anos 80 e refez minha alma.

Por que deveria perturbar as mentes alheias com o meu mau humor, se tem tanta coisa boa para lembrar?

Para quem curte toda a maravilhosa e desavergonhada “breguice” dos excessos que vivemos, o site http://www.motoca.net/motoca/index.htm é uma boa.

Me lembrei de cada detalhe da minha infância super feliz e fico pensando como podemos desejar uma sociedade ajustada nos dias de hoje, se roubaram descaradamente o direito das crianças de serem felizes.

Não me refiro só à pobreza. Claro que sem o básico, é muito difícil ser feliz, mas não é dessa infelicidade que falo. Falo da infelicidade da falta de imaginação que venho acompanhando nas crianças de hoje.

Eu observo as crianças há 12 anos. Meus alunos foram os primeiros a me chamar a atenção de que o excesso de eletrônicos, o tempo desperdiçado diante da TV tem um ônus que só o futuro é capaz mostrar.

No meu tempo (sim, eu estou caminhando honradamente para a faixa das tiazonas), não víamos tanta televisão e os brinquedos tinham bem menos recursos, além disso, mesmo trabalhando, nossos pais tinham tempo de nos levar para brincar longe de vídeo games e computadores (Mesmo porque não tinha computador quando eu era criança. Deixando bem claro que me refiro a home PC.).

Esse tempo da infância perdido de forma inútil rouba da criança a capacidade de descobrir o mundo por ela mesma e consequentemente formar um adulto mais completo.

A “viagem” que fiz hoje me lembrou das coisas divertidas que fazia. Como minha irmã já estudava (temos três anos de diferença na idade) eu brincava muito sozinha, mas sempre sobrava um tempo para a nossa imaginação em conjunto dar uma voltinha na vigilância para lá de apertada que minha mãe montava. Vigilância essa que incluía desligar a TV, quando achava que estávamos tempo de mais de frente para o aparelho. Ela simplesmente mandava arrumar outra coisa para fazer e nós íamos.

Ela também lia a Revista Recreio e ajudava a recortar os desenhos, ela fazia roupa de boneca e jogava comigo e com a minha irmã no pouco tempo livre que as obrigações da casa deixavam. Mesmo cansada, ela tinha - sempre teve - tempo para nós.

Meu pai é uma criança até hoje. Ele chegava com o brinquedo que fosse e queria sempre brincar junto. Domingo de manhã era dia de ver os desenhos que passavam antes da corrida e brincar de par ou ímpar ou qualquer outro joguinho bobo que criança gosta.

Eu sinceramente não sei onde os pais perderam o prazer de estar com os filhos. Só sei que a sociedade seria bem menos problemática, se as pessoas resgatassem esse hábito. Essa convivência é fundamental.

Um beijo grande e uma boa semana.

Drikka

criado por dri.mo    20:20 — Arquivado em: Sem categoria

19/4/09

Semana muda

Queridos leitores,

eu peço desculpas pela falta de post hoje. Não, não foi indisciplina, eu apenas me dediquei por inteiro a escrever meu livro.

Estou muito entusiasmada com os resultados. Prometo que semana que vem, faço uma postagem linda e maravilhosa (falta modéstia no meu DNA) e coloco aqui.

Por enquanto, deixo meu sorriso de marca de creme dental famosa adornado por meus lábios de propaganda da batom, juntamente com meu senso de humor ao colocar todas essas loucuras por aqui.

Mil beijocas e uma excelente semana soluço para todos.

Drikka

 

criado por dri.mo    23:45 — Arquivado em: Sem categoria

13/4/09

He’s Just Not That Into You ou Ele não está tão afim de você

Ontem eu me dei ao luxo de juntar o útil ao agradável. Explico. Hoje foi aniversário do meu padrinho e precisava comprar um presente para ele. Como iria ao shopping mesmo, aproveitei para ir ao cinema.

Como já dá para ver pelo título, eu fui ver “Ele não está tão afim de você”. (Abre parêntese aqui para as ótimas salas do Kinoplex do Tijuca Shopping.)

O filme é uma comédia romântica simples, onde os destinos de nove pessoas se misturam de uma forma que me lembrou de imediato a poesia de Drummond, Quadrilha. (Para quem não conhece ou não lembra, vai o link. http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/quadrilha.htm).

O ponto central da trama é ou pelo menos deveria ser, os desencontros da Gigi em suas tentativas frustradas e frustrantes de encontrar um amor. Nessas tentativas, ela encontra Alex, expert em fazer das mulheres seres descartáveis. A ligação entre essa situação e as outras é que na mesma firma que Gigi trabalha, trabalham 98% do elenco feminino.

Colocado assim o filme se torna muito raso. Gigi é uma mulher meio (muito…) desajeitada que leva à risca o verso de Jobim “É impossível ser feliz sozinho” e está cercada de mulheres que por alguma razão estão insatisfeitas com a vida que estão levando e “sabem” tudo sobre relacionamentos.

Eu iria mais fundo nesse roteiro. As personagens são pessoas que estão desajustadas por dentro e isso reflete diretamente em suas relações com as outras. A felicidade pode ser um problema, quando não estamos preparados para ela.

Gigi é a única que está realmente disposta à felicidade. De uma maneira meio precipitada, eu sei, mas sempre pronta para o que a vida pudesse dar. O problema é que poucas pessoas conseguem pertencer à vida tanto quanto ela. Isso a torna “levemente” inadequada ao mundo de hoje e consequentemente afastava os pretendentes. Pessoas que vivem se tolhendo têm muito medo daquelas para quem a vida parece sempre pintada em cores intensas.

Eu me identifiquei com a intensidade quase inocente da personagem. Ela simplesmente não sabia ser diferente dela mesma para agradar aos outros, ela até tentou mudar, apesar de não ter conseguido totalmente, mas demonstrou ser muito mais madura que o “safo” Alex, quando o assunto era vida.

Por que ela deveria ser moldada por um padrão que não era o dela? Por que mudar para estar com alguém, quando conviver é em parte aceitar o outro como ele é, sabendo que não há perfeição?

Muitas vezes imputamos aos outros nossos modelos, como por exemplo, Janine fazia com o marido. Só que as pessoas agüentam fingir por um tempo, mas por quanto tempo alguém pode ser quem não é em nome do amor? Se é que se pode chamar amor o egoísmo de querermos fazer de alguém aquilo que é mais cômodo para a nossa própria consciência.

Sim, era muito chata aquela coisa de “você me liga ou eu te ligo?”, mas a platéia também é capaz de perceber que a mente dela funcionava tão diferente que ela não era capaz de perceber os sinais das relações descartáveis. Agora me digam quem tinha o maior problema, ela que tomava para si os riscos ou os caras que ao perceberem que a coisa poderia ir mais longe, pulavam fora por não quererem ninguém “fixo” em sua vida? (By the way, para mim o Connor não se deu bem com a Gigi, porque perseguia o sonho da mulher que não queria nada com ele.) Mais uma vez eu me identifico com a Gigi. Relacionamentos são ruas de mão dupla, o tráfego deve fluir em ambos os sentidos. Ela só queria se certificar disso…

Não pensem que estou desculpando as investidas da personagem em homens que notoriamente não queriam nada com ela. Eu mesma tive que aprender a ser diferente na minha “inocência”. Posso dizer de cadeira o quanto é frustrante amar alguém que simplesmente olha através de você como se você fosse de vidro e garanto que durante muito tempo, pensei que o problema fosse eu. Pensei mesmo. Ficava matutando horas a fio como mudar para ser vista, para encaixar na fôrma e cheguei à brilhante conclusão de que eu não era o problema. Por alguma razão, eu simplesmente amei uma pessoa que vive em função de se proteger, o que é muito cansativo para quem está em volta e deve ser extremamente desgastante para quem vive dessa forma. O texto que ela praticamente grita na cara dele, quando ele diz que não está interessado nela depois da festa é penetrante como uma faca afiada.

Assim como Alex mostrou para Gigi o ponto de equilíbrio na vida dela (Sim, mesmo que de maneira indireta, mas mostrou.) “meu Alex” me ensinou a ser diferente. Nota: ele não me modificou, mas a convivência sempre indica algumas arestas que precisamos aparar. O que muda no final do meu filme é que “o meu Alex” não mudou o jeito dele e tocou a minha campainha para dizer que queria tentar. Talvez eu não devesse ter sido tão eufemista em minhas colocações, mas sou uma pessoa que acha que ferir não é didático, por mais que estejamos dizendo a verdade.

Sim, eu recomendo o filme. Muitas pessoas acharão tolo, mas eu diria que tem aspectos que fazem valer a pena.

Um beijo grande para todos e uma ótima semana.

Drikka

criado por dri.mo    0:44 — Arquivado em: Sem categoria
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://curvello.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.