
OK, eu sei que vão dizer que não sou a Glorinha Khalil ou a Constança Pascolato, mas vamos combinar que um pouco de bom senso na hora de escolher o visual é desejável.
Mesmo sem ser expert, eu procuro (ainda mais, quando não tenho certeza do resultado) usar o mais simples possível. Sim, sou do tipo que prefere pecar pela falta que pelo excesso. Acontece que a maioria das pessoas não pensa assim e a rua se torna um mar de aberrações.
Tá, vá lá. Algumas são apenas leves bola fora. Batido o lateral, dá para voltar ao jogo, mas tem umas coisas…
Sempre penso na minha amiga Glória quando vejo essas coisas. Entre os erros mais comuns existe um que é perfeito para a frase que ela sempre usa: It´s not because something fits you that it suits you. Como tem gente que pensa que qualquer corpo pode vestir qualquer roupa. Eu não contenho meus pensamentos, quando vejo umas roupas MUITO justas em corpos mais cheinhos. Pelo menos um camisão, pessoal. Pelo menos um camisão. E por aí vai.
Divertido também é a criatividade de algumas pessoas. As “estilistas” de plantão estão por toda parte. Há coisas que ficam interessantes, apesar do exagero, mas tem outras que causam um impacto negativo impossível de superar.
Para não cansar todo mundo falando, falando, falando, eu vou listar em tópicos que torna a leitura mais suave.
Sobrancelha preta – Eu costumo chamá-las de mulheres capeta. As mulheres capeta estão por toda parte. Não se trata de um leve lápis para completar falhas e dar destaque. Isso é muito pouco. Trata-se de REDESENHAR as sobrancelhas com um lápis ou um delineador e ficar parecendo o negativo do retrato do Ronald McDonalds. Isso me hipnotiza como poucas coisas. Me lembro ainda da total desconcentração no guichê da Parmê na hora de pedir meu almoço. A atendente do caixa havia feito isso e ainda usava uma discretíssima sombra azul bebê. Eu juro, eu quase pedi uma sobrancelha preta pro almoço.
Calça santropança – Eu estou fazendo academia, porque acho que a minha barriga está fora das proporções necessárias para uma calça dessas, mas tem gente que não acha. A barriga caindo por cima da calça me deprime como poucas coisas. Nada contra a pessoa ser gordinha, ter barriga (acontece), mas destacar esses pontos eu não acho positivo.
Roupa de frio com sandália ou shortinho – No Rio não temos exatamente algo que se possa chamar de inverno, mas tente entender que se você tem o verão na metade do corpo e o inverno no outro, você tem problemas graves de termostato. Eu estava uma vez no metrô e entrou uma moça que chamou a minha atenção. Descendo os olhos por ela, fui acompanhando a “lógica da vestimenta”. Ela usava um cachecol enrolado no pescoço (quase um colar cervical de tanto que esticava o pescoço dela) um tailleur e… TARAM! uma sandália com os dedinhos de fora. Preferi atribuir o “equívoco” a uma unha encravada que não suportaria um sapato fechado. Detalhe: nem estava tanto frio para aquele cachecol.
Quanto ao shortinho, nem quero imaginar a razão que faz alguém sentir frio em cima e calor embaixo.
Acessórios metalizados durante o dia – Concordam comigo que no Rio o sol é de uma intensidade desértica e que qualquer superfície que seja reluzente, pode causar danos a quem não usa óculos de soldador, mas até dá para usar, se você tiver bom senso (sempre). Uma vez, estava pronta para saltar do ônibus e vi do meu lado uma moça com uma imensa bolsa prateada. Fazia um sol daqueles e o reflexo veio direto em mim. Não preciso dizer que fui revistar o restante. Tinha pedaços brilhantes no brinco, na blusa, a bolsa e a sandália. Devido à intensidade da luz e o excesso de brilhos, ela parecia o letreiro de um cassino de Las Vegas. Tudo reluzia e tinha movimento. Por favor, não é porque algo está na moda que ele deve ser usado até a exaustão, tampouco ao mesmo tempo, dependendo do que seja.
Unhas “artísticas” – Me perdoe quem gosta, mas tenho nervoso de desenhos nas unhas. Em geral são decorações tão breguinhas. Algumas são até muito bem feitas, mas são muito estranhas.
Diferentes estampados na mesma combinação – Não importa se um estampado é “leve” ou os dois são “pesados”. Ou usa a mesma coisa em tudo (não é bom, mas é melhor que nada), ou coloca uma peça neutra para contrabalançar.
Falando nisso, me lembrei um “bad day” de um conhecido meu. Ele morava (sabe lá Deus se ainda mora e onde mora) fora e me mandou uma foto de uma viagem de férias. Ele até tentou usar o mesmo estampado, mas a coisa não deu certo. Era estímulo visual demais. Ele não gostou muito, quando eu falei isso, mas…
Tudo junto em um visual só – Tem gente que, quando erra, erra para valer. Já vi muita gente assim. Uma vez, uma amiga estava “desse jeito” e veio me perguntar o que eu achava. Óbvio que não tive coragem de ser sincera, mas meu cérebro não se conteve. Quando a pergunta veio, a resposta surgiu como um relâmpago:
“E aí, Drikka? O que você acha? Falta alguma coisa?”
“Falta. O pisca-pisca.” (Eu só pensei. Eu só pensei.)
A lista poderia ir muito mais longe, mas eu agora não estou lembrando de mais nada. Prometo que sempre que me derem munição, voltarei ao assunto.
Espero que esse post compense de alguma forma os posts tristes e para baixo que tenho dividido com vocês.
Beijocas e boa semana. (Sim, ainda dá tempo de desejar.)
Drikka