Minha retina

Reflexões sobre as imagens que chegam aos meus olhos.

29/4/12

O fardo e o jugo

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

(Mateus 11:28 a 30)

Eu sempre achei que para entender a vida teríamos que ser capazes de olhá-la de fora, mas também sei que essa “imparcialidade” é um desafio quando se trata da nossa própria vida. Diria que é quase impossível, mas se nos detivermos em observar o movimento da vida através de outras pessoas, seremos capazes de, mmmm… Em se tratando do ser humano, melhor dizer, talvez sejamos capazes de lhe perceber a dinâmica e assim aliviarmos a carga do que nos compete no dia a dia.

Ando numa fase meio complicada. Decisões a serem tomadas, decepções a serem superadas e algumas expectativas que não dependem diretamente do meu esforço para serem resolvidas (e isso para um virginiano é motivo de MUITA tensão). Nessas horas eu literalmente murcho e me insulo um pouco, mas tenho que admitir que até endureci bastante. Quando era mais nova, se estivesse passando pelo que estou agora, estaria completamente desnorteada. A idade tem suas compensações.

Mas isso tudo é fase. A vida é feita de fases e fases passam. Sejam elas mais longas ou mais curtas, cabe a nós enfrentarmos o que nos compete. O problema é aquela palavrinha mágica que faz tudo parecer menor… PACIÊNCIA. Quando estamos pressionados, é muito difícil aceitarmos que é preciso aguentar o tranco. Em geral, vamos precisar de muita ajuda para não sucumbirmos e acharmos que nosso sofrimento é infinito, enquanto toda humanidade prossegue feliz. Não existe felicidade total, cada um tem seus próprios problemas e se formos comparar com os nossos, muitas vezes veremos que há um equilíbrio oculto na divisão das tarefas e cada qual a seu turno, será importante para o equilíbrio do outro. Sempre haverá um parâmetro, facilmente identificável ou não, que impedirá o desespero de tomar conta.

Para prosseguirmos, nada como a fé para nos ensinar a lição da paciência. Quando pensamos nos propósitos Divinos e na oportunidade abençoada de aprendizado que os problemas nos trazem, tudo parece fazer mais sentido, ainda que tenhamos dificuldade em aceitar por completo aquilo que nos é enviado para administrar. O primeiro impacto da notícia é sempre um “POR QUE EU?”. Mas podemos ficar tranquilos, Deus entende isso e ajuda muito o tempo todo (Graças a Ele mesmo. Amém!) por mais longa que seja a fase ou que nos pareça ser. O tempo é um fator muito relativo, mas isso é outra discussão.

Eu decidi escrever sobre isso, depois de sexta-feira. Quando pensamos que ninguém nos observa, eis que a sensibilidade surge de onde menos se espera. Fui questionada sobre o que me deixava amuada e quando disse, em vez de receber descaso, recebi encorajamento para buscar em Deus a força para prosseguir. Como bem diz minha mãe, ainda existe muita gente boa no mundo. A grande questão é que elas não fazem alarde. Elas residem no silêncio do bem.

Boa semana para todos.

Beijocas.

criado por dri.mo    21:06 — Arquivado em: Sem categoria

22/4/12

Interpretações

Já dizia minha mãe, “Nem todo mundo te vê com os mesmos olhos. Nem todo mundo te ouve com os mesmos ouvidos”. Sábia minha mãe.

Eu era uma pessoa extremamente crédula na pureza do coração e dos ouvidos alheios, mas o tempo e a experiência (dolorosa, claro) me ensinaram a confiar desconfiando sempre. Por melhores que sejam as nossas intenções, o coração humano ainda é uma terra desconhecida e as razões pelas quais ele é capaz de distorcer ou usar de forma perniciosa as palavras alheias com o deliberado intuito de prejudicar e causar dor são ainda uma incógnita (e talvez nunca sejam esclarecidas). É como tentar descobrir quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.

Não consigo deixar de me preocupar com isso. Já sofri bastante com a maledicência das pessoas. Queria entender o que faz com que as elas sejam tão levianas.

É curioso observar pessoas que se encontram no estágio onde você já esteve. Dá para notar que falam com inocência, pois você também falava, mas preocupam pelo resultado do que podem angariar para si.

Eu não curto muito ficar perto de pessoas com as quais eu tenha que ficar vigilante o tempo inteiro, mas tampouco posso fugir delas sempre, por essa razão, eu tive que interiorizar as palavras da minha mãe e aprender a fazer uso delas. Tem horas que a vigilância, desconfiança ou como queiram chamar, cansa muito. Sinto que isso amplia minha tendência a me proteger e fatalmente isolar. Sim, isso me afeta, mas faz parte da vida.

Tenho pensado sobre isso, pois venho observando alguém com quem tenho convivido. Uma pessoa legal, coração bom, mas que não está ligada nesse detalhe da vida e por isso, muitas vezes fala o que não deve na hora errada. Às vezes eu tenho vontade de chegar e avisar, mas fica o medo da pessoa não gostar, sabe? Essa possibilidade existe.

Well, vamos caminhando. De repente, quem sabe a oportunidade de avisar aparece ou a pessoa se toca?

Beijocas.

criado por dri.mo    22:03 — Arquivado em: Sem categoria

15/4/12

O “gostoso” X O gostoso

Eu jurei a mim mesma que depois da lista dos top 10 (http://curvello.blog.terra.com.br/2011/04/23/arame-liso-como-nao-ser-um/), eu não escreveria mais sobre esse assunto, mas os homens me tentam como poucas coisas nessa vida, tornando o tema recorrente.

Conversávamos eu e uma amiga sobre o tema que nunca se esgota: homens e seu “jeitinho”. Falávamos de homens gostosos dessa vez.

Me dizia ela que é muito difícil resistir a um homem gostoso. Realmente o é, mas também é muito difícil encontrar um que realmente o seja. O mercado anda fraco, não por falta de potencial, mas por falta de visão. Sério, a maioria dos homens não consegue enxergar coisas muito simples e que seriam revolucionárias na performance deles.

Vamos começar pelo significado de gostoso, pois, como diria outra amiga, eu amo palavrinhas e suas ricas possibilidades. Segundo o dicionário Aulete, gostoso pode ser entre outras coisas:

1. Que tem sabor bom, que é agradável ao paladar (bolo gostoso)

OU

2. Que dá prazer; AGRADÁVEL: ex. Que beijo gostoso!

A entrada número dois é a selecionada. Ela é exatamente o que bem define o que discutíamos.

Como já comentei aqui antes, tenho encontrado muito mais pessoas preocupadas em aparentarem algo do que realmente serem algo. Isso tem afetado a qualidade das relações humanas de uma maneira preocupante e pode ser a causa de tantos desencontros.

Interessante foi comentar isso com essa amiga e com base nesse ponto começarmos a desenvolver uma tese sobre onde os “gostosões” andam falhando.

Com base em meu “curso empírico” de Psicologia, eu diria que o problema não é falta de potencial, mas pouca crença no próprio taco (sem duplo sentido), falta de autoestima. Isso é perfeitamente perceptível se observarmos o “approach” desses homens. Eles já chegam mostrando o que eles têm de melhor fisicamente ou intelectualmente e a coisa não funciona. Por que será?

Sempre disse que mulher não é um controle remoto do qual você não quer ler o manual e sai apertando os botões para ver o que acontece. Mulher tem uma mecânica própria que se bem usada, pode fazer maravilhas para ambos os lados interessados. Sexo é habilidade e percepção, pegação é só recurso. Vão por mim, se você já chega dizendo “eu me acho” ela não vai reagir bem. Além disso, nesse caso especificamente, muita propaganda causa desconfiança quanto a qualidade real do produto. (O bom mesmo não alardeia, ele faz.)

De posse consciente desse conteúdo, eu e minha amiga procuramos listar as características que nos fazem vibrar e classificar um homem como interessante e entre elas não estava o exibicionismo. Abrir a cauda só dá certo com pavão.

Um homem gostoso na nossa opinião (não posso excluí-la da discussão, já que elaboramos o conceito juntas) é aquele que chega devagar, começa conversando e vai mostrando a mulher o que ela tem de interessante que o atraiu, mostrando sutilmente o que ela desperta nele e como o que tem nele é bom e poderia fazê-la sentir muitas coisas. Ele não está focado em si mesmo, mas em sentir prazer em dar prazer. Essa promessa vale mais que qualquer corpo ou rostinho bonito, mais que qualquer cérebro letrado.

Um homem que se acha o último biscoitinho do pacote e já chega fazendo propaganda “do material”, dificilmente obterá o mesmo resultado. Pode até levar o que pretende, mas posso garantir que tem 90% (numa perspectiva para lá de otimista) de chance de decepcionar. Quando não há interação, um acaba indo para a cama sozinho. Normalmente, nessa troca a mulher entra pelo cano. (“Beige, I think we should paint the ceiling beige.”)

Um cara se achar gostoso, não faz dele um cara realmente gostoso. O homem tem que saber seduzir e seduzir uma mulher não é só mostrar uma carinha linda, um corpo viril ou cultura (de almanaque ou não). Muitos homens que eu conheci teriam me conquistado fácil e nem sequer eram bonitos ou eruditos, mas sem dúvida, sabiam ser muito convincentes e sutis.

Confiança e maturidade são o segredo. A confiança vem da autoestima e acho que também do conhecimento do outro (como falei, ler o manual ajuda muito) a maturidade ganhamos com a vida, se soubermos aprender com ela. O que vejo é que os homens não estão sabendo lidar com a independência feminina. São eles ainda presos a amarras invisíveis, aprisionados na ideia de que eles têm que nos proteger, defender e prover. A sociedade mudou e muitos homens não acompanharam essa mudança. Sinto que muitos fogem dessa evolução feminina buscando o confortável “modelo antigo”. Quando você tem confiança naquilo que é (essência não muda, gente) e consegue compreender o outro lado da questão, não se sente ameaçado por nada e pode fazer as coisas fluírem. Gostosos de verdade fazem as coisas fluírem com qualquer mulher que lhes interesse, os “gostosos” vivem com medo e sempre atrás de mulheres que não os faça sentirem-se ameaçados. Lembrem-se de que a verdadeira liberdade consiste em livrar-se das próprias amarras.

Me lembro das palavras de um amigo, ele disse que eu “era mulher para um homem corajoso e maduro”. Quando perguntei onde encontraria isso, ele disse que ele não conhecia nenhum, nem ele. (Claro que é um exagero da parte dele.) Ele me fez sentir solitária, te juro. Mas… vida que segue, né?

Voltando ao Aulete, ser realmente gostoso é dar prazer e mostrar prazer em receber o prazer que é oferecido sem medo, curtindo muito com quem está e onde está. O medo restringe e afasta e relações humanas requerem proximidade. Homens assim conseguem fazer-nos sentir coisas indizíveis sem nem ao menos nos colocarem a mão em cima. Arrisco dizer que uma boa transa começa numa ótima sintonia e que essa sintonia é uma ótima preliminar.

Beijos e boa semana para todos.

criado por dri.mo    16:25 — Arquivado em: Sem categoria

26/3/12

Ócio criativo

Às vezes eu tenho medo da intensidade das coisas que sinto.
Sinto que por dentro habita uma paixão arrebatadora pela vida que não encontro em muitos lugares ou muitas pessoas.
Sinto que me olham de lado com medo da energia.
Sinto que se afastam por não compreenderem.
É por isso que eu busco.
Estou sempre buscando onde e quem, aqui e nesse ou ali e naquele, mas ainda não encontrei quem aceite e compreenda.
Quem conviva sem medo, sem restrições, sem tolhimentos.
Quem conviva com o toque, com o sorriso, com a igualdade e com o respeito.
Ser ímpar tem seu preço, a divisão nem sempre é exata.

criado por dri.mo    11:55 — Arquivado em: Sem categoria

7/2/12

Aborto

Uma nova ministra, uma velha discussão.

Por diversas razões, entre elas o fato de ser Espírita, minha postura quanto ao aborto é simples: essa palavra não consta do meu dicionário.

Tenho muito medo da indolência brasileira. Somos um país com problemas graves causados pela louca vontade de não termos responsabilidade com nada. Isso é muito perigoso.

Como sempre comento em meus posts, fui educada para assumir a responsabilidade de todas as coisas que faço, para entender que toda ação tem uma reação e que nosso futuro é exatamente aquilo que construímos com nossas escolhas. Com base nesses conceitos, fui capaz de construir para mim, uma vida independente da opinião alheia e tento ser consciente a maior parte do tempo, afinal, ninguém é perfeito.

Sobre esse tema, discutindo com um amigo certa vez, coloquei que qualquer pessoa que inicie sua vida sexual tem que ter em mente que por mais contraceptivos que use o “risco” de gravidez não é zero. É mínimo, se forem bem usados, mas NUNCA é zero. Portanto, não me venha dizer que a gravidez foi acidente por completo. O “risco”, por menor que seja, está lá e a gente sabe dele. É o preço que pagamos pela “diversão adulta”.

Outro fator importante a ser lembrado é a famosa frase que muitas mulheres usam: a mulher tem o direito de dispor do seu corpo. Ótimo! Concordo. Com o corpo DELA, ela faz o que quiser, o problema é que um aborto mata o corpo de outra pessoa. Não é a própria mulher quem vai viver no corpo que está matando, não é ela quem nasce, quando os nove meses se completam, é outro ser. Se a mulher estivesse dando fim ao próprio corpo, não seria assassinato e sim, suicídio.

Agora, fica a pergunta: com que direito matamos uma pessoa que não tem a menor chance de se defender? (Metáfora perfeita de Claude Chabrol no filme “Um assunto de mulheres”. Assistam!) O aborto é uma decisão infeliz e filha da covardia. Covardia dupla: não assumir a responsabilidade do que faz e matar um indefeso. Eu que fosse, seria um ato covarde.

Alegam alguns defensores que precisamos reduzir a pobreza e que essa seria uma maneira eficiente de controle de natalidade. Nova pergunta surge: acham mesmo que uma pessoa simples de qualquer lugar do país, que não tem esclarecimento para planejamento familiar, métodos de contracepção, onde o homem acha que ser homem é ter muitos filhos e que é pobre vai fazer aborto para ter uma família menor?

Preciso responder? Não, né?

É claro que isso viraria algo que o governo não sustentaria por longo tempo (graças a Deus), pois nosso sistema de saúde é uma boa porcaria. O SUS até faria, mas daqui que você conseguisse a vaga, seu filho “indesejado” estaria no Exército recebendo o soldo para ajudar na despesa da casa.

O aborto se tornaria “solução” para quem pudesse pagar planos de saúde (que são caríssimos) ou clínicas particulares igualmente caras. Essa é a realidade. Seria legalizar o assassinato por nada MESMO, pois a população pobre continuaria a procriar. (Nada contra, só estou falando em termos de controle da natalidade.) O que quero dizer é que irresponsabilidade continuaria a mesma.

Numa sociedade onde o hedonismo manda, a decadência é certa.

É imperativo, antes de pensarmos em começar a discussão sobre esse assunto, pensarmos em soluções para a reeducação e conscientização do povo. Temos que formar um povo responsável e capaz de tomar decisões maduras. Sem esse passo, qualquer outro será um mero presente a falta de responsabilidade das pessoas com a vida.

Em último argumento, mais emocional inclusive, pensemos quantas pessoas importantes para a humanidade podemos eliminar, antes de termos a chance de sabê-las, se começarmos a matar indiscriminadamente quem ainda nem teve tempo de sentir um pouco esse mundo. Seria como arrancar os frutos de uma árvore antes de amadurecerem, simplesmente porque um dia eles podem apodrecer, se alguém não se alimentar deles.

Fica o questionamento.

Beijos.

criado por dri.mo    22:06 — Arquivado em: Sem categoria

12/1/12

One way people

Eu pensei que só eu notasse que a sociedade de consumo avançou insensivelmente sobre as relações humanas.

Hoje pela manhã postei um pequeno texto explicativo sobre um dos motivos pelos quais ando irritadiça, estressada e consequentemente chata.

Explicava eu que não faço nada esperando que as pessoas me retribuam, mas que ando meio decepcionada com um determinado tipo de ser humano que parece estar brotando do chão nos últimos tempos. Os amigos que só são seus amigos, quando convém a eles, pois quando não convém nem bom dia você recebe. Tenho encontrado muitas pessoas assim e isso tem me afetado muito.

Hoje eu resolvi postar sobre isso e qual não foi a minha surpresa, quando vi que tem mais gente se queixando da mesma coisa. E nem todas as pessoas moram no mesmo país, ou seja, é pandêmico.

Não sei se é efeito da criação que as pessoas recebem focada no próprio umbigo, não sei se é de cada um mesmo. Só sei dizer que tenho encontrado esses “amigos” all over. Egoísmo sempre houve, mas parece que agora está pior e piorando a cada dia.

Uma das pessoas que comentou chamou a atenção para o fato de que não importa há quanto tempo você conhece a pessoa. Ela pode ser revelar a qualquer minuto e mudar da água para o vinho como quem emborca um copo cheio de dados para começar a partida de um jogo. É, é bem assim…

Não entendo como é possível conviver e não desenvolver no mínimo respeito pelo ser humano. Tá, tem gente que irrita, mas se afaste com dignidade, se um dia você foi capaz de dizer que era amigo dessa pessoa. O respeito é o mínimo que se pode ter por alguém. Daí vêm todas as outras coisas.

Eu tenho sentido muita falta de reciprocidade no respeito que procuro ter pelos outros.

Talvez seja culpa do meu comportamento. Tem horas que acho que sou permissiva demais. Deixo as pessoas se aproximarem e tomarem espaço. Às vezes, espaço demais. Mas não vejo graça em viver na defensiva mais do que a própria vida já me ensinou a ficar.

O preço disso é ser vítima de quem não enxerga além do seu próprio quadrado. É ser descartável, como tantas outras pessoas.

Sim, tenho AMIGOS, graças a Deus, mas é quase impossível não nos sentirmos tristes com o rumo que as coisas estão tomando e no que o mundo está se transformando. Além disso, sou humana e gostar de uma pessoa, confiar e depois ver que não era bem assim, ainda fere. Passa, mas fere.

Beijo grande.

criado por dri.mo    19:57 — Arquivado em: Sem categoria

10/1/12

Forever young – Será?

Hoje estava conversando com um amigo que me disse que eu era uma pessoa exigente, por isso não tinha namorado.

Tentei explicar, mas confesso que usar o Twitter para discorrer sobre a complexidade humana é correr o risco de ser mal interpretada, pois 140 caracteres é muito pouco para assuntos que necessitam de muitas palavras.

Também é impossível tentar explicar sem antes dizer que parte do meu cansaço e estresse atuais vem das pessoas. Ando cansada me ver só, quando efetivamente preciso de ajuda e sempre ser requisitada e lembrada, quando precisam de mim.

Não. Eu não faço nada esperando algo em troca, mas a minha confiança tem sido bem vilipendiada ao longo dos anos. Confesso que ando cansada das pessoas que com um sorriso e um monte de palavras vão tirando e sem que você perceba, já doou mais de si do que deveria. Considero essas pessoas criminosas, pois roubaram o tempo de quem realmente precisava do meu tempo e eu, conivente, pois deveria ter-lhes definido o espaço logo de início.

Curioso é perceber que muito embora sejamos uma minoria, existem mais pessoas que se sentem do mesmo jeito.

Outro fato é que o mundo parece ter esquecido que o caminho natural da vida é o avanço da idade e com ele as mudanças inevitáveis do corpo. Sinto que na idade em que estou, mesmo não sendo avançada, para a maioria das pessoas, eu sou velha (Sim, tenho ouvido isso de muita gente, sob pretexto de piada ou a sério.). Eu e as minhas amigas que têm a mesma idade. (Para quem ficou curioso, eu tenho 40 anos e não me importo a mínima que saibam.)

Apesar do comentário acima, não fico zangada, mas observo de longe essa turba louca tentando ser um cânone grego e manter a carinha esticada para sempre. Os Dorian Grays ambulantes são quase tão numerosos quanto um exército de terracota vivo. Seres artificiais e inexpressivos marchando diretamente com olhos vidrados e expressão inexistente (claro, é o botox) rumo a Shangri-La. Só que Shangri-La não existe, exceto no romance de James Hilton e ainda assim é uma metáfora. São pessoas tentando manter a juventude e com isso esquecendo que cada fase da vida tem seus encantos e sua maneira de ser vivida. Assim como a morte, para quem permanece vivo, envelhecer é certo.

Só que o mundo hoje parece ser deles que movimentam a indústria do consumo e da beleza. Pessoas que tornaram tudo pragmático, até a convivência.

Reparem na facilidade com que as pessoas descartam as outras. Se hoje estão aqui, amanhã já não estão mais. Reparem como não olham para o outro, como não se preocupam. As relações atuais são baseadas puramente no corpo ou no interesse. Não se criam mais laços reais e não se têm mais comprometimento. Com a educação que recebi, meu canto no mundo está ficando cada vez menor, à medida que o “exército” avança.

Sinceramente não sei entrar pela metade nas coisas. Se eu gosto de alguém, gosto mesmo, por completo, seja amigo, seja amor. Procuro estar com a pessoa, mesmo de longe e procuro ajudar. Não gosto de mentiras (sabendo que algumas são necessárias por caridade) e acho que tudo pode e deve ser conversado. Acumular lixo faz muito mal à saúde. A pior solidão é a solidão acompanhada pelas expectativas que cria, pois é um relacionamento em geral, unilateral. Um só tenta o tempo todo fazer com que o outro que vive em seu mundo próprio, venha para a Terra. Eu já tive isso, prefiro ficar só de fato.

Eu quero alguém que me veja e não que finja que me vê para conseguir alguma coisa. Alguém que me pergunte o que há, e quando houver alguma coisa, me escute e não alguém que simplifique tudo em um “everything is gonna be all right”. Isso dói, porque soa como pouco caso. Preciso de alguém que não ache que ser sensível às coisas que acontecem é bobeira, que entenda que minha primeira reação é o abalo e depois o equilíbrio. Quero profundidade, eu cansei de pessoas rasas. Eu mergulho de cabeça, por isso preciso de profundidade.

Entendam que não culpo as pessoas por serem fúteis, o mundo não tem colaborado muito com o espírito fraco delas e não saber como agir, as torna mais egoístas a cada dia. Também eu tenho meus “perhaps”, como diz um amigo. Estou apenas respondendo a pergunta que me foi feita.

Não acho querer um companheiro e não um namorado para pura e simplesmente exibir, seja ser exigente demais. É o mínimo que se pode esperar da vida, pois ela é feita de construções. Além disso, eu ando buscando profundidade em todas as relações. Cansei da superficialidade das pessoas. Nada pessoal, é processo meu mesmo.

Eu busco sentimento e não sensação. O que alimenta o corpo não sacia a alma e é ela quem está “faminta” agora.

Beijos.

Drikka

criado por dri.mo    23:07 — Arquivado em: Sem categoria

3/1/12

Algumas resoluções de Ano Novo

Esse post deveria ter saído ano passado, mas eu não tive concentração suficiente para escrevê-lo.

Como todo bom ser humano da face da Terra (os otimistas, pelo menos) eu renovo as minhas esperanças para o ano que começa e tomo algumas resoluções, e como todo ser humano que se preza, nem tudo eu consigo levar adiante, mas procuro cumprir a maior parte da minha lista.

Sabendo que a esperança é a última que morre e creia-me, quando ela entra na fase moribunda, você já está morto há muito mais tempo, eu tomei algumas decisões simples para o ano de 2012. Espero cumprir a lista completa, para não deixar a minha esperança no vácuo e levá-la ao CTI.

Lista de resoluções para 2012:

1 – Não é preciso ser egoísta e deixar de ajudar às pessoas, mas eu preciso entender que não posso absorver os problemas alheios. Isso causa estresse e não ajuda a ninguém.

2 – Preciso ser menos “onipresente”. Sinto uma imensa desvalorização de mim mesma com essa mania de “estar sempre ali”. Ser solidária não significa estar disponível todo tempo. Eu PRECISO entender a diferença. Isso vai ajudar a reduzir o impacto da fase “não estou precisando mais”. Isso também me ajudará a parar de insistir nas pessoas que se afastam.

3 – Vou focar nos meus objetivos. Nesse momento, eu preciso muito de mim.

4 – Vou me empenhar mais na academia para tentar reduzir o estresse inevitável com as mudanças da vida. O ano vai ser puxado, eu já sinto.

5 – Vou tentar sair mais, conhecer mais gente, aumentar meu espectro. Gente nova é sempre bem-vinda.

6 – Vou tentar começar minha pós. Vamos ver se o dinheiro ajuda.

7 – Prometo tentar evitar as pessoas para as quais sou transparente. Transparente no sentido de não me verem. Em geral, são pessoas que levam muito sem nada trazerem. Eu creio na troca de energia e não em vampirismo.

E por último:

8 – Prometo estender a prática da fuga do vampirismo aos homens, caso contrário, prefiro ficar sozinha. Quero construir algo interessante e não servir de muleta para alguém.

Na verdade, a lista é feita de itens que eu já deveria ter cumprido em muitas listas anteriores, mas foram sendo postergadas pela inabalável fé que eu tinha na sinceridade das palavras das pessoas e que 2011 modificou.

Continuo tendo fé nas pessoas, só que com mais cautela.

Beijos, volto outra hora.

criado por dri.mo    11:42 — Arquivado em: Sem categoria

18/12/11

De quem é realmente a culpa?

Hoje me fizeram uma pergunta muito interessante. É curioso, pois é um tema em que tenho pensado e muito nesses últimos dias. A pergunta é simples: “O capeta escolhe dia pra atentar ou é coincidência???”

O que eu respondi, não vem ao caso nesse momento. Preciso antes voltar há um passado não muito distante no tempo, mas muito distante (perdoem a sinceridade) na minha mente.

Quando eu ainda dava aulas, a maioria das crianças era evangélica. Nada contra evangélicos, mas é que particularmente eram eles que mais usavam como “desculpa”, que o diabo havia atentado o juízo deles. Bastava acontecer alguma coisa errada para acusarem o “outro” pelo ocorrido.

Nesses casos, costumava eu dizer para eles que o “outro lá”, tinha as costas bem largas, mas que na verdade, ele só dava a ideia. Isso já não é pouco, mas é o que não permite sermos isentados da culpa de aceitá-la. Não preciso dizer que isso me causou certo digamos, desconforto com os pastores, mas como tudo na vida, o desconforto passou.

Sim, eu acredito piamente que nada do que fazemos é alheio à nossa vontade. Se for entrar no mérito da questão das influências exteriores, a sugestão só vai de encontro a uma vontade que já existe em nós. Nada além disso.

Por essa razão a minha resposta para a pergunta que me fizeram, foi exatamente essa. O cuidado maior que temos que ter não é com o que nos sugerem, mas com a nossa vontade. Aquela que já existe, mesmo que não sintamos a presença dela e que torna praticamente irresistível a tentação que se apresenta. Às vezes, eu tenho a sensação de que as coisas funcionam como se nossa vontade, achando eco na voz da influência externa ganhasse a aparência de um sonho se realizando, de um passe de mágica ou uma solução miraculosa.

O mundo é 99% tentação.

Eu tenho pensado muito sobre as tentações. Não falo de fora, mas de dentro, pois eu não sou imune a elas. Elas também me cercam e não são poucas. Por essa razão achei a pergunta oportuna e que valeria falar sobre ela.

Algumas dessas “sugestões” me venceram, outras ainda me cercam. Há as que já não me cercam mais, pois me deixaram antes que eu sucumbisse totalmente, mas o importante é que tenho tentado manter o foco e ser o mais resistente possível.

Muito embora, Oscar Wilde dissesse que a melhor maneira de vencer uma tentação é entregar-se a ela, nem sempre essa é a nossa melhor escolha. Muitas vezes o desastre só é percebido depois, quando já é tarde demais.

Bem, vamos lá. Amanhã é dia de trabalho.

Beijocas.

Drikka

criado por dri.mo    22:53 — Arquivado em: Sem categoria

13/12/11

Moda = equívoco

OK, eu sei que vão dizer que não sou a Glorinha Khalil ou a Constança Pascolato, mas vamos combinar que um pouco de bom senso na hora de escolher o visual é desejável.

Mesmo sem ser expert, eu procuro (ainda mais, quando não tenho certeza do resultado) usar o mais simples possível. Sim, sou do tipo que prefere pecar pela falta que pelo excesso. Acontece que a maioria das pessoas não pensa assim e a rua se torna um mar de aberrações.

Tá, vá lá. Algumas são apenas leves bola fora. Batido o lateral, dá para voltar ao jogo, mas tem umas coisas…

Sempre penso na minha amiga Glória quando vejo essas coisas. Entre os erros mais comuns existe um que é perfeito para a frase que ela sempre usa: It´s not because something fits you that it suits you. Como tem gente que pensa que qualquer corpo pode vestir qualquer roupa. Eu não contenho meus pensamentos, quando vejo umas roupas MUITO justas em corpos mais cheinhos. Pelo menos um camisão, pessoal. Pelo menos um camisão. E por aí vai.

Divertido também é a criatividade de algumas pessoas. As “estilistas” de plantão estão por toda parte. Há coisas que ficam interessantes, apesar do exagero, mas tem outras que causam um impacto negativo impossível de superar.

Para não cansar todo mundo falando, falando, falando, eu vou listar em tópicos que torna a leitura mais suave.

Sobrancelha preta – Eu costumo chamá-las de mulheres capeta. As mulheres capeta estão por toda parte. Não se trata de um leve lápis para completar falhas e dar destaque. Isso é muito pouco. Trata-se de REDESENHAR as sobrancelhas com um lápis ou um delineador e ficar parecendo o negativo do retrato do Ronald McDonalds. Isso me hipnotiza como poucas coisas. Me lembro ainda da total desconcentração no guichê da Parmê na hora de pedir meu almoço. A atendente do caixa havia feito isso e ainda usava uma discretíssima sombra azul bebê. Eu juro, eu quase pedi uma sobrancelha preta pro almoço.

Calça santropança – Eu estou fazendo academia, porque acho que a minha barriga está fora das proporções necessárias para uma calça dessas, mas tem gente que não acha. A barriga caindo por cima da calça me deprime como poucas coisas. Nada contra a pessoa ser gordinha, ter barriga (acontece), mas destacar esses pontos eu não acho positivo.

Roupa de frio com sandália ou shortinho – No Rio não temos exatamente algo que se possa chamar de inverno, mas tente entender que se você tem o verão na metade do corpo e o inverno no outro, você tem problemas graves de termostato. Eu estava uma vez no metrô e entrou uma moça que chamou a minha atenção. Descendo os olhos por ela, fui acompanhando a “lógica da vestimenta”. Ela usava um cachecol enrolado no pescoço (quase um colar cervical de tanto que esticava o pescoço dela) um tailleur e… TARAM! uma sandália com os dedinhos de fora. Preferi atribuir o “equívoco” a uma unha encravada que não suportaria um sapato fechado. Detalhe: nem estava tanto frio para aquele cachecol.

Quanto ao shortinho, nem quero imaginar a razão que faz alguém sentir frio em cima e calor embaixo.

Acessórios metalizados durante o dia – Concordam comigo que no Rio o sol é de uma intensidade desértica e que qualquer superfície que seja reluzente, pode causar danos a quem não usa óculos de soldador, mas até dá para usar, se você tiver bom senso (sempre). Uma vez, estava pronta para saltar do ônibus e vi do meu lado uma moça com uma imensa bolsa prateada. Fazia um sol daqueles e o reflexo veio direto em mim. Não preciso dizer que fui revistar o restante. Tinha pedaços brilhantes no brinco, na blusa, a bolsa e a sandália. Devido à intensidade da luz e o excesso de brilhos, ela parecia o letreiro de um cassino de Las Vegas. Tudo reluzia e tinha movimento. Por favor, não é porque algo está na moda que ele deve ser usado até a exaustão, tampouco ao mesmo tempo, dependendo do que seja.

Unhas “artísticas” – Me perdoe quem gosta, mas tenho nervoso de desenhos nas unhas. Em geral são decorações tão breguinhas. Algumas são até muito bem feitas, mas são muito estranhas.

Diferentes estampados na mesma combinação – Não importa se um estampado é “leve” ou os dois são “pesados”. Ou usa a mesma coisa em tudo (não é bom, mas é melhor que nada), ou coloca uma peça neutra para contrabalançar.

Falando nisso, me lembrei um “bad day” de um conhecido meu. Ele morava (sabe lá Deus se ainda mora e onde mora) fora e me mandou uma foto de uma viagem de férias. Ele até tentou usar o mesmo estampado, mas a coisa não deu certo. Era estímulo visual demais. Ele não gostou muito, quando eu falei isso, mas…

Tudo junto em um visual só – Tem gente que, quando erra, erra para valer. Já vi muita gente assim. Uma vez, uma amiga estava “desse jeito” e veio me perguntar o que eu achava. Óbvio que não tive coragem de ser sincera, mas meu cérebro não se conteve. Quando a pergunta veio, a resposta surgiu como um relâmpago:

“E aí, Drikka? O que você acha? Falta alguma coisa?”

“Falta. O pisca-pisca.” (Eu só pensei. Eu só pensei.)

A lista poderia ir muito mais longe, mas eu agora não estou lembrando de mais nada. Prometo que sempre que me derem munição, voltarei ao assunto.

Espero que esse post compense de alguma forma os posts tristes e para baixo que tenho dividido com vocês.

Beijocas e boa semana. (Sim, ainda dá tempo de desejar.)

Drikka

criado por dri.mo    22:04 — Arquivado em: Sem categoria
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://curvello.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.